A fortuna dos 100 americanos mais ricos atingiu patamar de 2,9 trilhões de dólares, segundo a Bloomberg. O montante é maior do que o patrimônio dos 50% mais pobres da população

Biden: plano para aumentar impostos para empresas e para americanos mais ricos (Leah Millis/Reuters)

Apesar do anúncio de medidas econômicas como o aumento da tributação dos mais ricos, o começo do governo do presidente americano, Joe Biden, não se mostrou ainda prejudicial ao patrimônio dos maiores bilionários americanos.

Nos primeiros 100 dias completos do mandato de Biden, os 100 americanos mais ricos adicionaram 195 bilhões de dólares a seus patrimônios somados. Os dados são do índice de bilionários da agência Bloomberg, atualizado diariamente.

Com o crescimento, a fortuna dos 100 americanos mais ricos atingiu 2,9 trilhões de dólares, segundo a Bloomberg. O valor é maior do que o que possuem todos os 50% mais pobres do país, o que inclui parte da classe média, e cujo patrimônio somado chega a 2,5 trilhões de dólares, de acordo com o Fed, banco central americano.

Se levados em conta só os dez americanos mais ricos, o patrimônio é de 1,2 trilhão de dólares (quase metade do que possui o grupo dos 100 mais ricos). Desde a eleição de Biden, em novembro passado, o top 10 das fortunas nos EUA adicionou 255 bilhões de dólares a seus patrimônios.

O motivo do avanço nas fortunas da super elite é o movimento de alta na bolsa que vem se fortalecendo nos últimos meses. O S&P 500, que reúne as principais empresas dos EUA, atingiu nos primeiros 100 dias de Biden seu maior crescimento no começo da gestão de um novo presidente desde os anos 50.

Parte significativa vem da expectativa de que os EUA já estejam vivendo uma situação quase normal no segundo semestre. Sob Biden, os EUA conseguiram fazer chegar em tempo recorde aos braços dos americanos as vacinas contra a covid-19 que começaram a ser produzidas e financiadas ainda no governo Trump. A população vacinada com a primeira dose passou de 40%, e com a segunda, chega a 30%. “São faróis que sustentam a perspectiva de uma reabertura em breve, e setores específicos da bolsa se beneficiam desse movimento”, diz Arthur Mota,  em entrevista anterior sobre os primeiros meses de Biden.

O pacote de 1,9 trilhão de dólares apresentado por Biden e aprovado no Congresso no começo do ano também ajudou a induzir o consumo e estimular os mercados. No ano passado, o governo Trump já havia aprovado dois pacotes, somando quase 3 trilhões de dólares.

Alguns resultados do caminhão de dinheiro na economia já aparecem. O produto interno bruto do primeiro trimestre, divulgado nesta quinta-feira, cresceu 6,4% na taxa anualizada — notícia considerada positiva pelo mercado mesmo com a base de comparação baixa, após recessão no ano passado. O número de pedidos de seguro desemprego também vem caindo.

As principais altas vêm das empresas de tecnologia, cujas ações estão em trajetória crescente com a quarentena e a digitalização. O grupo das ações de Facebook, Amazon, Netflix e Google (chamadas de FANG) subiu 94% nos últimos 12 meses, muito acima da já significativa alta do S&P 500, de 45%.

Só Jeff Bezos, pessoa mais rica do mundo (e dos EUA), ganhou quase 12 bilhões de dólares neste ano. Bezos tem fortuna de 202 bilhões de dólares. É seguido no ranking de bilionários por Elon Musk, dono da Tesla, cuja fortuna é de 175 bilhões de dólares e cresceu mais de 5 bilhões em 2021 (com a alta das ações da Tesla, Musk chegou a passar Bezos como mais rico do mundo em alguns pregões do ano passado).

As maiores altas do ano são dos fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, que ganharam cada um mais de 25 bilhões de dólares no ano até esta sexta-feira, 30. Ambos têm mais de 100 bilhões de dólares em patrimônio e são, respectivamente, sexto e sétimo no ranking de mais ricos do mundo.

Tributação para os mais ricos

Além do pacote de estímulo de 1,9 trilhão de dólares, já aprovado no Congresso, o governo Biden apresentou também um programa de infraestrutura e criação de empregos e um plano para as famílias, juntos somando 4 trilhões de dólares.

Os projetos ainda precisarão passar pelo Congresso, onde o governo terá batalha dura. Mas, para arcar com tudo isso, Biden já anunciou que defende um aumento de 21% para 28% da carga tributária das empresas.

O governo também quer aumentar impostos pagos por americanos que ganhem mais de 400.000 dólares por ano. Do outro lado, no plano das famílias, propõe isenção de impostos a classes médias e baixas. “Wall Street não construiu este país”, disse Biden no mês passado para justificar seu plano tributário.

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