Representantes da CLDF relatam cenário de guerra no Hospital de Ceilândia

Um ofício encaminhado à Procuradoria-Geral de Justiça do Distrito Federal, nesta terça-feira (30/3), relatam problemas como corpos amontoados e misturados com casos de covid-19

Acondicionamento incorreto de corpos no Hospital Regional de Ceilândia é risco de aumento de crise sanitária – (crédito: reprodução – ofício CLDF)

O Hospital Regional de Ceilândia (HRC) enfrenta situação caótica. Um ofício elaborado por representantes da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF)aponta problemas graves dentro da unidade de saúde. O grupo esteve no local na última sexta-feira (26/3) e se deparou com a falta de equipamentos para servidores, pacientes atendidos em locais improvisados, além da situação crítica dos corpos no Serviço de Verificação do Óbitos (SVO), responsável pelas mortes ocorridas sem assistência médica, como em casa ou na rua.

A denúncia foi encaminhada, nesta terça-feira (30/3), à Procuradoria-Geral de Justiça do Distrito Federal para que se tome providências quanto à situação vivenciada no HRC. “O cenário é de guerra. E não se pode agir de forma desidiosa nesses momentos. A situação exige celeridade do Poder Público”, destaca um trecho do ofício.

De acordo com o documento, o aumento de morte em razão do novo coronavírus agravou a situação crítica do Serviço de Verificação do Óbitos, localizado no Hospital de Ceilândia e que recebe a demanda de todo o DF. “São corpos amontoados, alguns sem a refrigeração adequada. Corpos de falecidos com covid-19 misturados com outras doenças por falta de espaço, o que pode gerar uma catástrofe sanitária”, ressalta o texto.

Os representantes da CLDF apontaram ainda que os veículos utilizados para a retirada dos corpos estão constantemente quebrados. “Não existe uma sala de recepção para famílias e os servidores ficam expostos sem o uso de equipamentos de proteção adequados. Fomos informados que os servidores receberam equipamentos de proteção que não servem adequadamente para o trabalho realizado (capotes de tecido ao invés do capote profissional). A questão é tão grave que, em determinados casos, os servidores removem os corpos com o auxílio de familiares, que, ao menos em tese, não têm a capacitação para tanto”, relatam.

O grupo identificou que não existe um laboratório próprio do SVO para a realização das necropsias, tendo que utilizar o laboratório do HRC, que opera em estrutura física precária. “Parece-nos inadmissível a situação vivenciada. O SVO é o último suspiro de dignidade dessas pessoas. E é um importante serviço para a coleta de dados para o enfrentamento da pandemia, sobretudo porque pode avaliar quais os motivos pelos quais os cidadãos faleceram, permitindo-se a utilização desses dados em prevenção, em busca ativa de pessoas acometidas com determinadas doenças e, no contexto da pandemia, na identificação de eventuais outros contaminados pela covid-19”, pontua outro trecho do ofício encaminhado ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

No documento, há ainda questionamentos sobre o fechamento do Hospital de Campanha do Mané Garrincha e do descumprimento do próprio Plano de Mobilização de Leitos do Distrito Federal.

Questionada sobre os problemas apontados, a Secretaria de Saúde, informou em nota que, a informação de corpos amontoados no Hospital Regional de Ceilândia (HRC) em locais inadequados não procede. “O HRC tem uma câmara fria grande, que não é no formato tradicional de geladeira, e é justamente o local onde os corpos estão acondicionados”, pontuou a pasta.

Segundo a secretaria, no Hospital Regional de Ceilândia, há a separação da ala covid para que pacientes acometidos pelo vírus sejam atendidos e tratados em separado dos demais pacientes. “Óbitos suspeitos ou confirmados por covid-19 devem ser enterrados em até 24h e não passam por necropsia no SVO, seguindo os protocolos sanitários preconizados. Os corpos já ficam preparados para o manejo das funerárias”, ressaltou a nota. Além disso, a pasta reforçou que na unidade não há falta de EPIs.

 

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