As consultas entre o presidente Michel Aoun e os diferentes grupos parlamentares devem terminar com a nomeação de um substituto para Saad Hariri, o ex-primeiro ministro designado que renunciou em 15 de julho

(crédito: DALATI AND NOHRA / AFP).

O presidente libanês iniciou, nesta segunda-feira (26/7), uma rodada de consultas parlamentares para nomear um novo primeiro-ministro, pela terceira vez em um ano, num país afetado pelo bloqueio político e o colapso de sua economia.

A mídia local aponta como favorito o milionário Najib Mikati, de 65 anos, o homem mais rico do Líbano e uma das maiores fortunas do Oriente Médio, que já liderou o governo em duas ocasiões anteriores.

O atual executivo do primeiro-ministro Hassan Diab está no cargo desde sua renúncia em agosto, após a gigantesca explosão no porto de Beirute que matou mais de 200 pessoas e devastou a capital.

Desde então, o bloqueio político se perpetua, entre negociações intermináveis que impedem a formação de um governo exigido pela comunidade internacional. Dois primeiros-ministros nomeados já jogaram a toalha.

As consultas entre o presidente Michel Aoun e os diferentes grupos parlamentares devem terminar com a nomeação de um substituto para Saad Hariri, o ex-primeiro ministro designado que renunciou em 15 de julho depois de uma disputa de nove meses com o presidente.

Terminadas as consultas, exigidas pela Constituição, deve ser anunciado o nome do novo primeiro-ministro, segundo a Agência Nacional de Informação ANI.

Vários grupos, incluindo o de Hariri, aprovaram a nomeação de Mikati.

Se as previsões forem cumpridas, ele terá que apresentar uma lista de ministros aceita pelas principais figuras da classe dominante do país, tida como corrupta.

A mídia local diz que Mikati prometeu formar um governo dentro de um mês, embora haja temores de que demore meses.

“Nada garante que sejam reunidos os elementos necessários à formação de um governo”, apontou o jornal local Al Akhbar, evocando divergências quanto à distribuição de cargos e pastas.

Paralelamente, o Líbano está afundando em uma crise econômica que, segundo o Banco Mundial, pode ser uma das piores do mundo desde 1850.

Símbolo de corrupção

Com uma fortuna estimada em US $ 2,7 bilhões, de acordo com a revista Forbes, Mikati é visto por muitos como um símbolo de uma classe dominante incompetente e corrupta que sobreviveu ao levante popular sem precedentes do final de 2019.

Na época suspeito de enriquecimento ilícito, Mikati gozava de pouca popularidade, inclusive em sua cidade natal, Trípoli (norte), a mais pobre do país.

Na noite de domingo, dezenas de pessoas protestaram em frente à sua residência em Beirute, acusando-o de corrupção e nepotismo.

Mas os líderes partidários o veem como o candidato consensual, capaz de formar um governo confiável que libere ajuda internacional crucial.

A comunidade internacional prometeu injetar bilhões de dólares se um governo fosse formado para combater a corrupção.

Esta condição permanece não cumprida, enquanto o colapso econômico do país leva a uma pobreza massiva, hiperinflação e todos os tipos de carências para a sua população.

Em julho, a França anunciou uma nova conferência de ajuda internacional para o Líbano em 4 de agosto, o primeiro aniversário da explosão do porto de Beirute.

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