
Rubens Henrique, de 16 anos, reúne as amigas Hellen Kathleen e Manuela Korossy, todos da Escola de Música de Brasília, para se apresentar pela cidade, com o apoio do professor Thiago Franciss
Orgulhoso de ser filho do pedreiro Ismael Leite, de 39 anos, e da diarista Jaciara Moura, de 33, Rubens Henrique Martins Moura, desde pequeno, já era apaixonado pela música, e tocava instrumentos como a percussão, trombone, flauta doce e a flauta transversal, no Centro de Ensino Fundamental 11 (CEF 11) do Gama, sob a supervisão dos professores Marcos Balduíno e Divino.
Foi só com a chegada de um projeto específico de música ao CEF 11, com a supervisão do professor de música da Secretaria de Educação Thiago Franciss, que o rapaz teve a influência necessária para começar a aprender o violino. “No colégio tem um projeto de música, que faz parte da grade curricular. Lá, conheci pessoas muito talentosas, como o Rubens. Esse menino, desde a quinta série, mostrou muita aptidão para a área”, afirma Thiago Franciss.
A musicalização de jovens por meio de disciplina nas salas de aula é um avanço, porque tem capilaridade social e é inclusiva. “O projeto de música nas escolas é um novo passo, um novo tempo, sobre educação. Agora, a música está entrando nas escolas públicas”, comenta Franciss.
E um dos exemplo é a trajetória do jovem Rubens Henrique, 16 anos. “Em julho de 2015 fiz a prova para a Escola de Música de Brasília, e passei em segundo lugar”, destaca Rubens, que agora tem aulas de violino com Samara Bley. “Eu tenho um sonho, que é ir para a Alemanha e estudar violino”, comenta Rubens, com um olhar lírico, quando perguntam sobre o instrumento.
Ajuda de amigos
Mas, ainda sim, faltava algo. Sem recursos para ter um bom instrumento musical, o rapaz tocava com um violino emprestado, de má qualidade, da escola. Assim, acreditando em seu potencial, e após levantarem o orçamento de uma série de violinos, admiradores e amigos do rapaz organizaram um “cozido musical”, na Casa da Donana, com a presença da chef Ana Castro, para arrecadar o dinheiro necessário e assim poder adquirir um instrumento de qualidade — e conseguiram.
Rubens Henrique ganhou seu primeiro violino, vindo da Alemanha, um ano depois de toda a mobilização de amigos, parentes e admiradores. A empolgação parece dominar o rapaz. O instrumento é utilizado para apresentações em grupo oriundo da Escola de Música de Brasília, com a violoncelista Hellen Kathleen, 17 anos, e a cantora erudita Manuela Korossy, 15. “Uma das meninas que toca com o Rubens, a Hellen, tem uma história muito parecida com a dele”, adianta o professor Thiago Franciss.
“Comecei no Projeto Música e Cidadania. Fiz a prova da Escola de Música depois, e passei em primeiro lugar”, compartilha Hellen Kathleen, 17, que, inicialmente, veio de um projeto financiado pelo Exército. “Passei a me esforçar mais, levar a sério, e aí acabei conhecendo o Rubens e a Manuela, e ficamos amigos”, completa, tímida, a violoncelista que também recebeu um instrumento musical de surpresa, graças à ajuda recebida de Rubens.
“Conheci o Rubens no coral infantil, ficamos amigos e até gostamos dos mesmos tipos de músicas”, destaca Manuela Korossy, 15 anos. “Nós três começamos tocando juntos de brincadeira”, explica a cantora. “Acabou que deu certo e nos empolgamos. Aprender cada música é um tipo de diversão diferente”, completa a moça.
Inspiração em Beethoven
Ludwig Van Beethoven é a grande inspiração de Rubens, que se apaixonou pela música do compositor alemão. “Ele não compôs apenas grandes obras, ele mudou a história da música e a revolucionou. Quando eu escuto Beethoven, todo meu corpo entra em um estado de pura alegria e êxtase, me toca a alma”, afirma o jovem violinista.
“Gosto de estudar a cultura musical de muitos países”, explica, ao destacar a cultura musical e as sonoridades alemã, búlgara, árabe e indiana. Também revela uma queda pela música popular brasileira.
“Meu dia a dia é sempre corrido, tenho aula no Colégio da Polícia Militar Fernando Pessoa (Valparaíso) de manhã, e, à tarde, corro para o Plano Piloto a fim de estudar violino e piano, além de aulas de teoria musical”, comenta o garoto.
Às sextas, tem a aula de alemão ministrada pela professora Angelica Hiltel, que se sensibilizou com a história do jovem e resolveu ajudá-lo. Assim como fez com a cantora Manuela Korossy. “Vou dormir muito cansado, porque ainda faço alguns arranjos antes de dormir”, diz, antes de uma boa risada. Tudo pela música.