Mais de de 180 policiais estão nas ruas; 10 pessoas foram presas e duas estão foragidas. Organização é dona de três lojas de peças de automóveis: o estoque de todas foi recolhido

Grupo criminoso vendia peças roubadas em lojas no DF e Goiás – (crédito: Divulgação/PCDF)

A Polícia Civil mobilizou, na manhã desta terça-feira (13/7), uma megaoperação batizada de Autopeças para desmantelar uma organização criminosa apontada como responsável por uma série de roubos e furtos de veículos no Distrito Federal e em Goiás.

Mais de 180 policiais atuam no cumprimento de 37 mandados judiciais no Gama, Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Águas-Lindas (GO) e Goiânia (GO). Ao todo, 10 pessoas foram presas, duas estão foragidas e ainda há 25 ações de busca e apreensão em andamento. O grupo criminoso é dono de três lojas de peças de automóveis: o estoque de todas foi recolhido.

As investigações começaram há mais de um ano e apontam que os integrantes da quadrilha costumavam usar violência nas abordagens às vítimas para roubar os veículos, inclusive ameaçando-as com arma de fogo. Segundo a PCDF, a maioria dos roubos ocorreu nas cidades de Samambaia e Taguatinga.

Os agentes já conseguiram identificar pelo menos 12 vítimas que tiveram os carros roubados pelo grupo, mas, para a polícia, pode haver mais. Para eles, os criminosos vendiam peças regulares misturadas a produtos oriundos do desmanche.

Depois de roubados, os carros eram escondidos em galpões em diversos pontos do DF, onde eram desmanchados. As peças removidas eram vendidas nos estabelecimentos gerenciados pelos chefes do grupo criminoso. Parte da mercadoria ainda era revendida por outros comerciantes no setor H Norte em Taguatinga, e também na Vila Canaã, em Goiânia.

O grupo montou uma estratégia elaborada para conseguir praticar os crimes: as autopeças retiradas dos carros roubados eram transportadas dos galpões às lojas em vans escolares. Quanto às armas, ficavam sob a responsabilidade de um dos integrantes do grupo em uma chácara em local isolado, sem estradas de ligação. Por isso, um helicóptero foi usado para capturar o suspeito.

Como a polícia estabeleceu a correlação da organização com os roubos, eles serão indiciados por roubo e receptação qualificada, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Com isso, as vítimas também poderão entrar com pedido de ressarcimento às seguradoras de veículos.

A investigação começou com uma denúncia de que um homem estava vendendo peças roubadas, o que levou à identificação da organização. “É uma demanda dos próprios lojistas que vieram nos pedir ajuda. Os lojistas que trabalham dentro da lei não conseguem oferecer os produtos de autopeças nos mesmos preços que os criminosos ofertam”, ponderou o delegado Erick Sallum, da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri).

“Nossa investigação atestou que a engrenagem de roubo e furto de veículos no Distrito Federal está intimamente ligada à exploração da atividade econômica de revenda de autopeças usadas”.

Problema antigo

Desde 2019, mais de 10 operações policiais já foram deflagradas na área do setor H Norte, em Tauatinga, que concentra dezenas de lojas de revenda de autopeças. Nesse período, foram cumpridos mais de 200 mandados de prisão preventiva, temporária e busca e apreensão na região. “A situação se encontra de maneira insustentável e a gente precisa implementar no DF a lei do desmanche”, defende o delegado.

A lei nº 12.977/14 regulamenta a desmontagem de veículos e a exploração dessa atividade econômica de venda de autopeças.

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