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Implante cerebral permite que paciente paralisada volte a se comunicar

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Pela primeira vez, um implante cerebral de uso doméstico permitiu a transformação de pensamentos em texto, possibilitando que uma mulher paralisada de 58 anos voltasse a se comunicar.

A paciente foi diagnosticada com a ELA (esclerose lateral amiotrófica), que aos poucos foi degenerando a sua capacidade de controlar seu corpo. Isso também levou embora sua capacidade de comunicação, causando o desenvolvimento da síndrome do encarceramento, na qual a vítima está ciente do que acontece ao seu redor, mas não pode se mexer ou falar.

Até o implante, o método usado para que ela se comunicasse era um sistema de reconhecimento dos olhos; ela apontava os olhos para uma letra na tela e, fazendo isso com todos os caracteres de uma palavra, era possível formar frases. O problema disso é que um terço dos pacientes com ELA também acabam perdendo o movimento dos olhos. Outros métodos similares podem não ser tão confiáveis.

O implante foi desenvolvido pelo Centro Médico Universitário Utrecht, na Holanda, que se esforçaram para permitir o uso fora de um ambiente controlado de laboratório. Para isso, a equipe focou-se em detectar os sinais cerebrais que surgem quando o cérebro conta de trás para frente e comanda o corpo para clicar um mouse.

O dispositivo conecta-se ao cérebro com um buraco no crânio. Ele registra sinais cerebrais e transmite sem fios para um tablete que transforma os sinais em “cliques”, e um software especializado ajuda a paciente a soletrar o que ela quer dizer. No primeiro de uso, a mulher estabeleceu um sinal cerebral com o sistema e agora, seis meses depois, ela já alcançou uma precisão de 95%.

Trata-se de um sistema ainda bastante básico, criado para poder ser usado fora do laboratório, e que tem uma aplicação clara: fazer a paciente voltar a se comunicar. Por exemplo, não seria possível adaptar a tecnologia para controlar membros artificiais, mas ao menos já fornece maior liberdade. Especialmente ao lembrar que o antigo sistema de reconhecimento do movimento dos olhos não podia ser usado em ambientes externos.

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