Guedes diz que vacina está atrasada desde Mandetta; ex-ministro rebate: ‘Desonesto’

Mandetta saiu do ministério em abril de 2020, quando poucas vacinas estavam em fases iniciais de testes

BRASÍLIA — O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse, em entrevista publicada nesta quarta-feira, que a compra de vacinas contra a Covid-19 no Brasil está atrasada desde a gestão do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que rebateu a acusação em redes sociais.

O ex-ministro, que deixou o governo em abril de 2020, chamou Guedes de “desonesto e mentiroso”. Na época, poucas vacinas estavam em fases iniciais de testes. Mandetta foi substituído pelo médico Nelson Teich e, depois, por Eduardo Pazuello. Nesta semana, o governo anunciou a substituição de Pazuello pelo médico Marcelo Queiroga.

Em janeiro, por exemplo, a Pfizer informou que ofereceu ao governo brasileiro a possibilidade de comprar um lote de 70 milhões de doses de sua vacina em 15 de agosto de 2020, com entrega prevista a partir de dezembro de 2020. Em agosto, o ministro era Eduardo Pazuello.

— No primeiro dia, (Luiz Henrique) Mandetta (ex-ministro da Saúde) saiu com R$ 5 bilhões no bolso. É desde aquela época que deveríamos estar comprando vacina, não é mesmo? O dinheiro estava lá — disse Guedes, em entrevista à CNN Brasil.

O ministro da Economia se referiu a uma medida provisória publicada no início de março de 2020. Os recursos foram usados para compra de EPIs e leitos hospitalares, segundo dados do Ministério da Saúde.

— A entrega da vacina não está atrasada só agora, não. Desde aquela época devia estar comprando vacina. O dinheiro estava lá. É muito fácil atribuir a “A” ou a “B”. Nós temos que responder sobre essa crise coletivamente — acrescentou.

Pelo Twitter, Mandetta disse que o ministro é “desonesto e mentiroso”.

“Guedes desonesto e mentiroso. Negacionismo do governo mata pessoas e empresas. CPI já! Mais postos de saúde e menos posto Ipiranga”, escreveu o ex-ministro.

A pandemia foi decretada no dia 11 de março de 2020, quando ainda não havia vacinas disponíveis para compra. Na ocasião, o presidente Jair Bolsonaro assinou medida provisória (MP) para liberar R$ 5 bilhões para o Ministério da Saúde, recursos voltados principalmente para leitos de tratamento intensivo.

O próprio Guedes disse que “R$3 bilhões, R$4 bilhões ou R$5 bilhões” seriam suficientes para “aniquilar” o coronavírus. Não foi. O governo gastou mais de R$ 500 bilhões em medidas econômicas e sociais para combater os efeitos da doença.

Na entrevista publicada nesta quarta-feira, Guedes disse que Mandetta tinha dinheiro disponível:

— No dia em que houve a comunicação, o ministro ainda era o Mandetta. Ele saiu do Congresso com R$ 5 bilhões no bolso. Quer dizer, nunca faltou dinheiro — disse o ministro, antes de criticar o cronograma de entrega de vacinas.

— Era possível ter sido mais rápido? Sim. Era possível que a mídia fosse mais construtiva? Era possível que os governadores ajudassem também? O dinheiro foi para os estados. Então, por que os leitos foram desativados? Pois todos nós achávamos que a pandemia estava indo embora — acrescentou Guedes.

Mesmo com o número crescente de casos de coronavírus, Guedes e sua equipe negaram por meses que o Brasil estivesse passando por uma segunda onda.

O Ministério da Economia, por exemplo, demorou quase um mês para liberar R$ 2,8 bilhões ao Ministério da Saúde. O recurso é necessário para bancar leitos de UTI nos estados até março. A pasta também só passou a negociar a volta do auxílio emergencial em fevereiro. Até agora, o auxílio sequer for anunciado oficialmente.

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