Brasilienses competiram nas categorias experimental e hip-hop. Outros sete brasileiros passaram pelas oitavas de final; na categoria dancehall, o país conseguiu primeiro vencedor.
Brasília contou com três representantes na última edição da maior competição internacional de danças urbanas, o “Juste Debout”. O evento, que reúne cerca de 400 dançarinos e 45 mil espectadores, ocorreu em Paris entre a última sexta-feira (3) e domingo (5).
A dupla Lucas Emanu e Thiago Augusto disputou as oitavas de final na categoria hip-hop. Vitor Hamamoto competiu sozinho na categoria experimental e chegou até a final, ficando entre os 12 melhores dançarinos do mundo. O mineiro Israel Alves foi o primeiro brasileiro a ganhar a competição na história do Juste Debout.
Eles e outros seis brasileiros passaram pela seletiva em Sorocaba, São Paulo, em dezembro do ano passado. A etapa também ocorreu em outros 12 países ao longo de três meses. A maioria das categorias foi disputada em dupla, como hip-hop, house, dancehall, locking e popping. A experimental, a categoria infantil e a inédita são disputadas individualmente.
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Hamamoto foi o único brasileiro a passar na seletiva da categoria experimental. Ele batalhou individualmente com cerca de 30 dançarinos. “Foi um grande choque ganhar, porque tinham dançarinos incríveis. Eu queria mostrar quem eu sou por meio da minha dança. Se fosse pra ganhar, não queria ter que fazer nada só para impressionar os jurados.”
O Juste Debout foi o primeiro evento internacional dele e a primeira experiência em batalhas. Dançarino há seis anos, ele afirma não se identificar com uma só dança. Para compor as coreografias, usa referências do break, do hip-hop e do contemporâneo.
“Me inspiro nas minhas vivências e, principalmente, nas pessoas à minha volta.”
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Mesmo ficando atrás do francês Babou Flex, ele comemora o resultado. “Acho que eu consegui mostrar a minha dança pro mundo. Consegui ser verdadeiro comigo mesmo. Não ganhei, mas estou muito feliz com o resultado, alcancei o meu objetivo pessoal. Ganhar seria um bônus.”
Brasil em 1º
O dançarino Israel Alves, de Minas Gerais, foi o primeiro brasileiro a conquistar o tênis gigante – a “medalha de ouro” da competição – na história do Juste Debout. Ele batalhou na categoria dancehall em dupla com a australiana Nadiah Idris.
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A parceria inusitada formou-se de última hora. Alves competiria ao lado do amigo Mateus dos Anjos, de Brasília, mas ele desistiu um dia antes da competição. “Foi ele quem me juntou com a Nadiah, a melhor parceira do planeta”, conta.
Como Alves não fala inglês, a comunicação com a nova parceira “era uma coisa linda” – disse em tom de brincadeira.
“Nos conectamos muito rápido. Nem precisávamos falar pra nos entender. Arranhamos um ‘portunhol’ e montamos os combos um dia antes da primeira batalha”.
Os combos são sequências de passos usados pelas duplas durante a disputa. Cada dançarino tem um minuto para improvisar e, neste tempo, pode executar passos em sincronia com o parceiro – no começo, meio ou fim da sessão.
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“Juro que pensei que não passaria nem pela seletiva”, admitiu. “A cena [do dancehall] aqui, se não for a mais forte fora da Jamaica, com certeza é uma das mais expressivas em batalhas.”
O que garantiu a vitória da dupla, segundo Alves, foi a energia que os dois compartilharam. “As pessoas aqui são tão frias quanto a cidade, sem emoção. Eu e a Nadiah tivemos uma conexão muito boa.”
O dançarino ainda vai participar da segunda edição do espetáculo “Dare to dancehall” entre os dias 23 e 25 de março, em Paris. O evento convida os nomes mais expressivos da dança no mundo. Um deles, é Mateus dos Anjos – o amigo que dipensou a medalha de ouro.
Em todas categorias
Com tantos brasileiros selecionados para o Juste Debout, o país teve representantes em quase todas as categorias. No house, o recifense (radicado em Brasília) Hugo Campos disputou em dupla com o peruano Michael Grijalva. Eles chegaram às quartas de final, ficando entre os oito melhores da vertente no mundo.
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Os vencedores da categoria foram os japoneses Hiro e Miyu, que conquistaram o título pela segunda vez. Para Hugo, disputar a final com Hiro foi dividir a pista com um dos maiores ídolos. “Quando eu comecei a dançar, em 2004, ele foi jurado do house [no evento].”
“Muitas pessoas me perguntaram como eu lidei com a pressão das pessoas assistindo [às batalhas] nas arquibancadas. Mas a maior pressão foi vê-lo do outro lado da pista, por tudo o que ele é e construiu.”
Se a primeira impressão é a que fica, para Campos o Juste Debout foi “incrível”.
“Saí de lá muito mais maduro na minha dança. As experiências que temos com os dançarinos, sobre rotina, treinos e técnicas são um aprendizado tão importante quanto as batalhas.”
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Na categoria hip-hop, o brasiliense Lucas Emanu batalhou com Thiago Augusto, mas a dupla foi eliminada nas oitavas.
Jurandir Camini e Renan Moreira, de São Paulo, representaram o Brasil no popping. A dupla chegou até as quartas de final.
No locking, João Paulo, do Rio de Janeiro, e Fernado Black A, de Minas Gerais, ficaram em segundo lugar, atrás da dupla francesa, Vovan e Funky J.
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Ao longo dos anos, o Juste Debout se consolidou como um encontro de danças urbanas imperdível para dançarinos que querem ganhar visibilidade internacional. Nomes como Les Twins to Salah, Marvin Gofin, Yaman Okur, Marion Motin e Brice Larrieu tiveram a primeira aparição no evento.

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