Em um áudio, que circulou em grupos de troca de mensagens da PM, o militar da reserva dizia que a demonstração de afeto foi “uma avacalhação” e “frescura”. Ele afirmou ainda que os colegas gays “não se criam” e que a corporação foi “irreversivelmente maculada” por conta dos beijos no evento.

Após o caso ganhar repercussão, o coronel alegou que não divulgou a gravação, mas “apenas manifestou sua opinião em conversa particular”.

Henrique Harisson, policial militar, foi alvo de ataques homofóbicos por tornar pública sua orientação sexual.  — Foto: Arquivo pessoal

Henrique Harisson, policial militar, foi alvo de ataques homofóbicos por tornar pública sua orientação sexual. — Foto: Arquivo pessoal

‘É apenas um beijo’

De acordo com a decisão do juiz Pedro Matos de Arruda, que julgou o processo, na foto que teria “destruído a reputação” da PMDF, não há representação de sexualidade, de lasciva, de ato libidinoso qualquer.”

É, de fato, apenas um beijo. E não há por que percutir tão negativamente por um ato que não põe a PMDF ao escárnio público”, decidiu o magistrado.

Na sentença, o juiz julgou procedente o pedido formulado para condenar o réu ao pagamento de R$ 25 mil a título de compensação por danos morais.”Se o réu tem o direito de manifestar o seu pensamento, o autor tem o direito de ter sua honra resguardada. A implicação de que ele não merece estar na corporação por mostrar-se gay configura a ilicitude, pois viola direito igualmente assentado na Constituição da República: o dever de não-discriminação pela orientação sexual”, concluiu o magistrado.Após o caso, o soldado Henrique Harrison precisou ficar afastado do trabalho na PMDF por oito meses, para tratar um quadro de depressão e ansiedade, causado, segundo o militar, pela reação de outros policiais após o beijo no parceiro durante a formatura como policial.

“Essa decisão é linda. A sentença é perfeita e acaba com cada fala homofóbica que foi dita. Fala sobre liberdade. Tudo o que todo mundo quer”, afirmou o policial militar.

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