Aulas voltam na Alemanha apesar do temor da terceira onda

As crianças retornaram às aulas nesta segunda-feira em 10 dos 16 estados do país. Os centros de ensino já haviam retomado as atividades nos estados da Baixa Saxônia e da Saxônia

(crédito: Christof STACHE / AFP)

Berlim, Alemanha – As escolas e creches retomaram as atividades nesta segunda-feira na Alemanha, após o fechamento por dois meses em grande parte do país, apesar dos temores de uma terceira onda epidêmica causada pela propagação da variante britânica.

As crianças retornaram às aulas nesta segunda-feira em 10 dos 16 estados do país. Os centros de ensino já haviam retomado as atividades nos estados da Baixa Saxônia e da Saxônia.

“É bom que muitas escolas da Alemanha estejam retomando gradualmente o ensino presencial”, disse Anja Karliczek, ministra da Educação, à agência DPA.

A chanceler, Angela Merkel, admitiu nesta segunda que o desejo da Alemanha em aliviar as medidas restritivas é enorme.

Os cursos presenciais, interrompidos desde meados de dezembro, serão retomados, mas em drásticas medidas sanitárias, alternando aulas em grupos pela metade ou fixos, mas sem encontro entre alunos.

O governo planeja acelerar a vacinação dos professores. O anúncio sobre esse assunto poderia ser feito ainda hoje após uma reunião entre os ministros regionais da saúde e o governo de Merkel.

O milhão de professores passaria então para “alta prioridade” de vacinação, apesar da comissão alemã de imunização, que busca se concentrar em pacientes mais vulneráveis.

Esperam-se também testes e autotestes gratuitos por um euro, uma promessa do ministro da Saúde, Jens Spahn, que tanto a oposição quanto as associações de médicos ou farmacêuticos consideram difícil de cumprir.

“Falsas promessas”

Apesar das restrições drásticas em vigor há dois meses, a Alemanha sofre para conter a pandemia, agora devido à disseminação da variante britânica. Quase 68.000 pessoas morreram até o momento no país.

A taxa de incidência durante sete dias divulgada nesta segunda-feira foi de 61 (contra 60,2 no domingo), longe do abaixo de 35 necessário para que haja flexibilização.

“O confinamento é forte o suficiente contra o coronavírus original. Mas novas variantes continuam a se desenvolver”, mostra-se preocupado Karl Lauterbach, especialista em questões de saúde do Partido Social-democrata.

A Alemanha está “iniciando uma terceira onda” de casos, em sua opinião.

“Infelizmente, a mutação agora está destruindo nosso trabalho”, acrescentou o braço direito de Merkel no governo, Helge Braun, nesta segunda-feira.

Nesse contexto, o ministro da Saúde anulou as ilusões dos que esperavam a flexibilização. Governo e lideranças regionais vão se reunir no dia 3 de março para discuti-la.

“Todo mundo quer um plano de três e seis meses, mas por enquanto não é possível. Não acho que devemos fazer falsas promessas”, alertou Spahn, apontando até mesmo para uma redução do teto da taxa de incidência para 10 para poder aliviar as restrições.

Merkel, no entanto, prometeu que um grupo de trabalho do governo desenvolverá simulações de flexibilização a partir de terça-feira em áreas em que ocorrem contato pessoal, como escolas e creches, assim como para locais culturais, esportivos e nos restaurantes.

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