Pesquisadores conseguiram reproduzir, pela 1ª vez em laboratório, as condições atmosféricas da formação de uma nuvem. Confira o vídeo

Se você já parou para admirar o céu em um dia ensolarado, provavelmente viu nuvens do tipo cirrus. Recentemente, um grupo de cientistas americanos testemunhou, pela primeira vez em laboratório, o nascimento de uma nuvem desse tipo, utilizando um microscópio eletrônico de varredura ambiental (ESEM, sigla em inglês) – um equipamento capaz de ampliar os objetos estudados em ambientes gasosos.

Reproduzindo as condições atmosféricas da Terra em uma pequena câmara, os pesquisadores puderam observar a formação de cristais de gelo e registrar todo o processo em escala microscópica. O estudo com a descrição do fenômeno, publicado no periódico científico Physical Chemistry Chemical Physics, ajudará a compreender como essas nuvens se formam em condições naturais e qual seu papel nas mudanças climáticas.

Na atmosfera, a formação das nuvens ocorre quando uma partícula atrai vapor d’água e forma pequenos cristais de gelo, criando um núcleo que dará origem à futura nuvem – processo que em inglês recebe o nome de “ice nucleation”, e que em português equivaleria a “nucleação do gelo”. Conforme esses cristais vão se juntando, as nuvens vão ganhando forma no céu.

“Esse é uma das mais críticas e menos compreendidas partes do processo de como as nuvens frias se formam”, afirmou Bingbing Wang, líder do estudo e pesquisador do Laboratório de Ciências Moleculares Ambientais do Pacific Northwest National Laboratory (PNNL), nos Estados Unidos, em comunicado.

Cristais de gelo

O que os pesquisadores fizeram para desvendar os primeiros passos da formação dessas nuvens foi tentar reproduzi-las em uma câmara climática, capaz de simular as condições de temperatura, pressão e umidade relativa da Terra a 6 quilômetros da superfície. Nessa altitude, a umidade relativa do ar é alta e as temperaturas são muito baixas (cerca de menos 68 graus Celsius), fazendo com que as partículas de vapor d’água rapidamente se juntem a qualquer partícula que esteja por perto antes de congelar e formar um pequeno cristal.

Cristais
Câmara de controle climático sendo posicionada no microscópio utilizado para fazer as imagens dos cristais (Pacific Northwest National Laboratory/Divulgação)

Na natureza, as partículas aéreas que participam da formação dos cristais de gelo podem ser praticamente qualquer coisa, desde cinzas vulcânicas até micróbios. No estudo, os pesquisadores utilizaram caulinita, um mineral encontrado no barro. Essas partículas são extremamente pequenas – possuem cerca de dois a três micrômetros (milésima parte do milímetro), bem menos do que a largura de um fio de cabelo humano.

Apesar da existência de estudos anteriores sobre o processo de nucleação do gelo, os cientistas dizem que essa foi a primeira vez que a formação dos cristais pode ser observada a partir de um estágio tão inicial, com partículas tão pequenas.

A versão completa do vídeo divulgado pelo Pacific Northwest National Laboratory (em inglês):

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