Em operação da Polícia Civil do DF, 15 faccionados foram presos e quatro estão foragidos. Essa é a quarta maior operação da corporação, que visa desarticular a organização criminosa na capital

Mega-operação da PCDF cumpre 19 mandados de prisão contra membros do Comboio do Cão – (crédito: PCDF/Divulgação)

Armas, carros de luxo, drogas e munições foram alguns dos itens apreendidos pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) no âmbito da operação Cáfila, deflagrada na manhã desta quarta-feira (17/11), que prendeu 15 integrantes do Comboio do Cão, maior facção criminosa da capital federal que atuava com o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

A Justiça do DF expediu 19 mandados de prisão e 27 de busca e apreensão. Quinze foram detidos e quatro estão foragidos. A operação, que envolveu mais de 220 policiais, incluindo agentes, escrivães e delegados, cumpriu mandados nas regiões do Riacho Fundo, Samambaia, Recanto das Emas, Gama, Paranoá e Águas Claras, além de cidades do entorno, como Luziânia. Além disso, foram cumpridos dois mandados de sequestro de imóveis luxuosos adquiridos com dinheiro ilícito da facção.

Mias de 10 mil munições foram apreendidas
Mias de 10 mil munições foram apreendidas (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

Na casa dos criminosos, a polícia encontrou mais de 20 armas, como pistolas, revólveres e espingardas, sendo algumas com seletor de rajada — dispositivo que acelera o disparo —, cerca de 10 mil munições de diversos calibres,  além de três carros de luxo. “A atuação da facção se concentra no DF e Entorno, mas verificamos que eles mantinham em contato com grupos internacionais, como na fronteira do Paraguai, inclusive para conseguir o abastecimento de drogas”, detalhou o delegado-titular da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Decor), Adriano Valente, em coletiva de imprensa.

Inteligência criminosa

Com a participação do Ministério Público do Distrito Federal, a polícia desvendou alogísticas de tráfico de drogas e armas de fogo advindas da fronteiriça do Brasil com o Paraguai. O grupo monitorava os inimigos para garantir o domínio territorial. Para lavar o dinheiro do crime, eram adquiridos bens móveis e imóveis em nome de terceiros, encobrindo origem dos montantes, além de usarem diferentes endereços bancários de forma sucessiva até a sua conversão em espécie.

Entre os detidos, estão dois suspeitos de assumirem o comando da facção no lugar de Wilian Peres Rodrigues, o Wilinha, preso em abril deste ano em Paranhos (PS), depois de ficar dois anos foragido. Segundo o delegado, um deles ficava responsável por abastecer as munições e outro era encarregado pela área financeira da organização. “Atualmente, há cerca de 30 homicídios imputados. Com as investigações, vamos conseguir elucidar grande parte desses crimes. Boa parte desses homicídios estão ligados à guerra por pontos de tráfico”, frisou o investigador.

Operação da PCDF
Operação da PCDF (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

O Comboio do Cão
Na terça-feira (16/11), o Correio revelou, com base em inquéritos policiais, processos e depoimentos de testemunhas sigilosas, como funciona a estrutura da facção e como os membros se articulam para traficar drogas e matar adversários. Formada há mais de 10 anos a partir da disputa de gangues, o Comboio do Cão, age com requintes de crueldade e tenta se instalar na capital, mas sofre seguidos reveses da polícia.

Membros da organização criminosa participaram de, ao menos, dois casos de extrema violência nos últimos 10 dias: a morte de uma jovem, de 21 anos, em um motel de Taguatinga, e a tentativa de homicídio contra um sargento da Polícia Militar (PMDF) no Riacho Fundo 2. Desde o surgimento, a base da facção opera em pontos estratégicos da região admistrativa, como em bares e em casas de criminosos.

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