Sobe para 1,3 mil total de professores de escolas particulares do DF demitidos durante pandemia, diz sindicato

Até último balanço, eram 801 desligamentos na capital; apenas em janeiro, houve 400 demissões. Entidade estima aumento de 30% no número de educadores desempregados em 2021.

Sala de aula do DF, em imagem de arquivo — Foto: Brenda Ortiz/G1 DF

Cerca de 1,3 mil professores que trabalhavam em colégios da rede privada, no Distrito Federal, perderam o emprego desde o início da pandemia do novo coronavírus. Um levantamento do Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sinproep-DF) mostra que, apenas em janeiro, a entidade homologou 400 desligamentos de educadores.

Até agosto do ano passado, 801 profissionais da área haviam perdido a vaga. Já em 2021, de acordo com previsão do sindicato, as demissões devem aumentar 30%, em comparação com anos anteriores. Segundo a entidade, mais 250 professores devem perder o emprego ainda em janeiro.

Diretor jurídico do sindicato, Rodrigo de Paula atribui as demissões ao fim da Medida Provisória 936, que previa redução de jornadas de trabalho e de pagamentos, que eram complementados pelo Executivo federal.

“O sindicato entende que há necessidade, por parte do governo federal, para fazer manutenção das empresas e dos postos de trabalho.”

O sindicato informou ainda que participa de reuniões na Câmara dos Deputados e no Senado para solicitar a prorrogação da medida. Além disso, a entidade aconselha que os professores fiquem atentos ao pagamento das rescisões de contrato e orienta a categoria a procurar o sindicato para verificação da documentação.

Demissões

Uma professora da rede privada do DF, que preferiu não se identificar, foi uma das que perderam o emprego durante as férias. Em dezembro do ano passado, a educadora contou que foi desligada de uma escola onde trabalhava há 7 anos.

“Ano passado foi um período muito desgastante para profissionais da educação. Tivemos sete longos meses de muito trabalho. A demanda triplicou”, afirmou.

De acordo com ela, outros colegas também enfrentaram a mesma situação. “Por ser um ano difícil para todos, as instituições de ensino deveriam levar em consideração o ano difícil para todo mundo”, comentou.

Outra profissional da área, que também preferiu manter a identidade sob sigilo, perdeu o emprego em 14 de dezembro. Ela diz que “levou um susto” porque acreditava que ficaria na escola, onde trabalhava há mais de um ano.

A professora contou que outros 18 colegas de profissão foram desligados. Segundo ela, todos precisaram se adaptar durante a pandemia e que a casa dela virou “uma verdadeira sala de aula” para conseguir atender os alunos.

Reorganização

Para o vice-presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinepe-DF), Marcos Scussel, a pandemia provocou a reorganização nas unidades de ensino.

“Todo início de ano, a partir do número de estudantes e das propostas pedagógicas, as escolas conseguem se organizar com a demanda de funcionários”, disse.

Estudante escreve em caderno, em imagem de arquivo — Foto: Reprodução/RPC
Estudante escreve em caderno, em imagem de arquivo — Foto: Reprodução/RPC

Ainda de acordo com Marcos, o Sinepe orientou os colégios particulares da capital a seguirem a legislação, além da convenção coletiva de trabalho. Os estabelecimentos devem, portanto, atender a proposta pedagógica, além da comunidade escolar.

Já a Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF (Aspa-DF), por meio de nota, disse que “um novo modelo de relacionamento entre instituição de ensino e alunos deverá ser discutido e criado”. Segundo o grupo, a qualidade do ensino deve ser mantida, assim como a preservação dos colégios e dos empregos de funcionários.

“O fato é que esta associação lamenta as demissões e espera que esses professores encontrem uma maneira de continuarem seu nobre ofício de ensinar, transmitir conhecimento”, disse a Aspa.

Retorno presencial

Na rede privada de ensino do Distrito Federal, as aulas presenciais voltaram no dia 21 de setembro do ano passado. O processo foi feito de forma gradual, opcional e dividido pelo nível de escolaridade dos estudantes. Veja cronograma:

  • 21 de setembro: Educação Infantil e Ensino Fundamental I
  • 19 de outubro: Ensino Fundamental II
  • 26 de outubro: Ensino Médio e Profissionalizante

No sistema público, a previsão, segundo a Secretaria de Educação, é de que as aulas voltem em março de 2021. Entretanto, o quadro da pandemia do novo coronavírus será avaliado antes que o retorno seja permitido.

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