21.5 C
Brasília
HomeBrasíliaProdutores do Distrito Federal redescobrem o cultivo do café

Produtores do Distrito Federal redescobrem o cultivo do café

Brasilienses investem em grãos especiais e em exportar. Liderança, porém, alerta sobre risco com escassez hídrica

Rubens Alves trabalha de modo singular: “Aqui é tudo bem artesanal, e isso agrega qualidade” – (crédito: Pablo Giovanni/CB/D.A Press)

Com a cotação do café melhorando nos mercados e com clientes cada vez mais exigentes com a qualidade do produto, cafeicultores do Distrito Federal estão animados com esse cultivo, de acordo com o secretário de Agricultura, Rafael Bueno. Ele disse ao Correio que, nos últimos anos, houve uma revalorização da bebida, e que isso foi impulsionado por uma mudança no comportamento do consumidor, que passou a buscar excelência.

“O café, atualmente, é visto como uma bebida gourmet. Isso, aliado ao aumento da demanda global e à redução da oferta por quebras de safra em algumas regiões do mundo, trouxe novo ânimo aos produtores brasilienses”, afirmou.

Na capital federal, segundo dados do GDF, 100 agricultores trabalham com cafezais distribuídos em um total de 440 hectares. Os números de 2024 da colheita dessa cultura estão em fase de consolidação e serão divulgados este mês pela Emater-DF. Representantes da empresa garantiram que o cultivo candango mostrará um “aumento significativo” em comparação a anos anteriores.

Empreendedores

Um dos que apostam no café é Rubens Alves, 69 anos, que planta no Lago Oeste. Segundo ele, no único hectare (10 mil m2) ao que se dedica, colhe cinco sacas (300 kg). “Estamos trabalhando para aumentar a produtividade e colher 10 sacas a partir de 2025 (na mesma área)”, ressaltou.

Alves tem um modo peculiar de trabalhar. Ele realiza todo o processo manualmente, descartando os grãos estragados ou que não amadureceram bem. “Aqui é tudo bem artesanal, e isso agrega qualidade especial. O café commodity (o comum) é colhido de qualquer jeito, misturando grãos em diferentes estágios de maturação. Eu colho um a um”, explicou.

Outro cafeicultor, Carlos Coutinho, 79, também do Lago Oeste, onde tem uma de suas duas plantações, disse: “A intenção era um cultivo de pequena escala”. Com o passar do tempo, porém, percebeu que a área era propícia para cafés especiais, devido à altitude e ao clima favorável.

A outra área cultivada por Coutinho fica em Brazlândia. “Temos 80 e poucos hectares, com uma colheita média anual em torno de 2 mil sacas”, contou.

Veja Também