Nova pesquisa mostra Lula crescendo no Nordeste e Bolsonaro no Sudeste; vitória de Lula no primeiro turno fica mais difícil com cenário atual
Após as entrevistas do Jornal Nacional na semana passada, o cenário de intenção de voto para presidente pouco variou. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuou dentro da margem de erro e reduziu a 7 pontos a vantagem para o presidente Jair Bolsonaro (PL) na corrida presidencial, enquanto Bolsonaro se manteve estável.
Os dados são de nova rodada da pesquisa eleitoral BTG/FSB, divulgada nesta segunda-feira, 29. Na sondagem para o primeiro turno:
- Lula teve 43% dos votos (contra 41% na última pesquisa);
- Bolsonaro se manteve em 36% (36% também na última pesquisa).
Os candidatos logo atrás dos dois líderes cresceram, sobretudo Ciro Gomes (PDT), que avançou três pontos em relação à pesquisa anterior do mesmo instituto, uma semana antes. Simone Tebet (MDB) oscilou um ponto para cima.
A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-08934/2022. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e intervalo de confiança é de 95%.
“Lula mantém a liderança, mas, assim como Bolsonaro, parece não ter ganhado mais votos com a ida ao Jornal Nacional. Apesar de 53% dos eleitores dizerem que podem votar no petista, só 43% votam no 1º turno”, disse em nota na pesquisa Marcelo Tokarski, sócio-diretor do Instituto FSB Pesquisa.
O resultado torna a chance de Lula vencer no primeiro turno mais remota. Se excluídos brancos e nulos, o ex-presidente tem 46% dos votos válidos no primeiro turno, mas precisaria de 50% mais um voto nos votos válidos para vencer na primeira etapa.
Espontânea
Na pergunta espontânea, isto é, quando os próprios entrevistados tiveram de apontar um nome escolhido, Bolsonaro e Lula caíram ambos um ponto, dentro da margem de erro.
A vantagem do petista segue de 7 pontos. Ciro Gomes, que cresceu na estimulada, também avançou dois pontos na espontânea:
- Lula teve 40% das intenções de voto na espontânea (contra 41% na última pesquisa);
- Bolsonaro teve 33% (34% na última pesquisa);
- Ciro Gomes teve 6% (contra 4% na última pesquisa);
- Simone Tebet teve 2% (os mesmos 2% na última pesquisa).
Segundo turno
No segundo turno, as intenções de voto ficaram estáveis em relação à semana anterior:
- Lula teve 52% dos votos (52% na pesquisa anterior);
- Bolsonaro teve 39% dos votos (39% na pesquisa anterior).
Por esse cenário, Lula venceria com 13 pontos de vantagem.
Brancos e nulos somam 7% e não sabem ou não responderam, 2%, mesmos percentuais da pesquisa anterior.
Bolsonaro ainda não cresce com Auxílio Brasil
O presidente Jair Bolsonaro ainda não conseguiu colher os louros da ampliação do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, uma das apostas do governo para o ano eleitoral.
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Dentre os que recebem o benefício ou tem alguém da casa recebendo (16% da amostra da pesquisa), Bolsonaro teve 24% das intenções de voto, ainda muito atrás de Lula (58% entre quem recebe e 62% entre o grupo que tem alguém da casa recebendo).
Apesar das variações na amostra a cada semana, Lula se mantém com intenção de voto acima de 50% e encostando em 60% neste grupo. Isto é, o suficiente para vencer no “primeiro turno” entre os beneficiários.
Entre quem não recebe Auxílio Brasil, Bolsonaro vai melhor e empata com o petista (39% para Lula e 38% para Bolsonaro).
“Esta rodada da pesquisa foi feita após todos os beneficiários do Auxílio Brasil terem recebido o pagamento da primeira parcela reajustada para R$ 600,00. No entanto, o leve crescimento de Jair Bolsonaro registrado há uma semana neste segmento não se confirmou”, disse Tokarski. “Aparentemente, o novo valor não mexeu com a escolha eleitoral desse público.”
Bolsonaro avança no Sudeste e Lura melhora no Nordeste
Lula perdeu quatro pontos no Sudeste e Bolsonaro subiu levemente, com um ponto, ambos dentro da margem de erro:
- Bolsonaro tem 39% no Sudeste (38% na última pesquisa);
- Lula tem 35% (39% na última pesquisa).
O candidato Ciro Gomes também cresceu no Sudeste, indo de 5% para 9% na região em uma semana.
No Nordeste, onde Lula já vence em todas as pesquisas, o ex-presidente ampliou sua vantagem e cresceu cinco pontos:
- Lula tem 63% no Nordeste (58% na última pesquisa);
- Bolsonaro tem 22% (24% na última pesquisa).
Apesar do avanço do presidente Bolsonaro em regiões importantes, analistas da FSB apontam que a alta rejeição ao governo e a estagnação na visão de melhora na economia (que vinha aparecendo nas últimas pesquisas com a redução no preço dos combustíveis, mas estagnou) podem atrapalhar a continuidade do avanço do presidente.
“Há três semanas, as taxas de avaliação e de aprovação do governo Bolsonaro estão estáveis. Em tentativas de reeleição, essa é uma variável muito importante. Hoje, o predomínio de avaliações negativas é um impeditivo para o crescimento do candidato Bolsonaro, que precisa ter seu governo reconhecido por mais eleitores. Para isso, sua campanha aposta no horário eleitoral”, disse Tokarski, do Instituto FSB.