Ricardo Fonseca tem 36 anos e percorre regiões pobres de Brasília com o trailer do ‘Super Pediatra’. Ele atende vestido de Super-Homem, ao lado da esposa, que também é médica e usa roupa de Mulher-Maravilha; consultas são gratuitas.

Super-Pediatra atende menina dentro de trailer que percorre regiões pobres do DF em trabalho voluntário — Foto: Arquivo pessoal

Um trailer caracterizado com temática de super-heróis têm chamado a atenção de crianças de regiões pobres do Distrito Federal. Dentro dele, trabalham o Super-Homem e a Mulher Maravilha.

Na verdade, o veículo é um consultório médico móvel – o carro do “Super-Pediatra”. O personagem foi criado pelo médico Ricardo Fonseca, de 36 anos, que dedica alguns dias do mês ao trabalho voluntário.

Sua assistente, a Mulher Maravilha, é a esposa, Sara Anieli, que também é médica. Os dois criaram o projeto “SuperAção”, lançado no mês de maio e que, até junho já havia atendido dezenas de crianças em Ceilândia e na Chácara Santa Luzia, na Estrutural.

Em Ceilândia, o “Super-Pediatra” recebeu, em um dia, cerca de 40 meninos e meninas. Segundo Ricardo, a região tem um “lugar especial especial” em seu coração.

“Eu fiz residência no Hospital Regional de Ceilândia, onde conheci a minha esposa. Fiz questão de que o primeiro atendimento fosse lá”, diz o pediatra.

Ricardo Fonseca e a esposa Sara Anieli são médicos e atendem crianças, de graça, vestidos de super-heróis, em um consultório móvel Brasília — Foto: Arquivo pessoal

O médico conta que chegou a atender crianças que nunca tinham ido a uma consulta com um pediatra. “É muito bom que eu consegui com laboratórios e representantes muitos remédios. Então a maioria das crianças, quando necessário, já sai medicada”.

O objetivo é fazer, pelo menos, um dia de trabalho por mês com o consultório móvel. “Mas sempre que houver possibilidade, nós vamos nos organizar para atender mais”, aponta.

Trabalho voluntário

Trailer, transformado em consultório médico, percorre o DF para atender crianças de regiões pobres de Brasília — Foto: Arquivo pessoal

O pediatra conta que já fazia trabalhos e atendimentos voluntários há 10 anos. “Eu sempre visitei creches e escolas como voluntário. Mas era difícil fazer os exames. Era um colchonete no chão, tudo improvisado”, explica. A ideia de transformar um trailer em consultório móvel surgiu em 2020.

“Eu estava na igreja e senti essa vontade. Aí fui perguntar pra minha esposa, se ela achava que era loucura. Ela respondeu que loucura seria se eu não escutasse a voz de Deus”, diz o médico.

Foram seis meses para que Ricardo e a esposa juntassem o dinheiro necessário para comprar o trailer. “Finalmente, em janeiro deste ano, o projeto de montagem começou a ser feito e, em maio, estreamos”.

O SuperAção tem a ajuda da família do casal. Ele e Sara fazem os atendimentos. Osogro, que tem uma caminhonete, leva o trailer. Já a concunhada faz a triagem dos pacientes.

Segundo Ricardo, o trabalho ainda pode crescer. “Já tem outros médicos querendo participar. Estou vendo como montar uma tenda, como podemos fazer pra ampliar esses trabalho, pra que mais crianças possam ser atendidas”, conta o pediatra, com entusiasmo.

Ele lembra que no primeiro dia de SuperAção, em Ceilândia, sentiu que o trabalho daria certo e que era importante. “Foi muito emocionante pra mim, quando a mãe de uma paciente veio me dizer que o consultório móvel tinha sido uma resposta às orações dela”, diz o médico.

“A mãe contou que tinha ido em vários hospitais por causa da filha, mas que não tinha conseguido atendimento, e também não tinha dinheiro para levá-la até uma clínica particular. No dia seguinte, passou por onde estávamos, viu o trailer, e agradeceu a Deus, porque era uma ‘resposta divina’. Isso me tocou muito”, diz o médico.

“Não trabalho por dinheiro, e sim por propósito. O mundo precisa de amor, precisa de gente que possa doar seu tempo pra ajudar o próximo”, diz Ricardo.

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