Maior corretora de criptoativos brasileira, empresa já tem bancos para coordenar abertura de capital e espera resultados de IPO nos EUA para definir próximos passos

(Siegfried Layda/Getty Images)

A corretora de criptoativos brasileira Mercado Bitcoin pretende abrir capital. A empresa não confirma a informação, mas, segundo informações divulgada pelo site Pipeline, já contratou os bancos JPMorgan, BTG Pactual, Itaú BBA e XP Investimentos para coordenar sua oferta inicial de ações (IPO) e apenas espera os resultados do IPO da Coinbase para seguir em frente.

Segundo as informações divulgadas, a empresa pretende testar um valuation inicial entre 10 e 15 bilhões de reais e aguarda o IPO da exchange norte-americana Coinbase para avaliar o interesse do mercado nesse tipo de operação. Procurado, o Mercado Bitcoin afirma que “não pode comentar essa especulação de mercado”.

Caso a abertura de capital do Mercado Bitcoin se confirme, será a primeira empresa do setor de criptoativos do país a ser listada na bolsa de valores. O seu valor de mercado, entretanto, ainda é incerto – e, mais uma vez, o IPO da Coinbase, que acontecerá nos próximos dias, na Nasdaq, pode servir como parâmetro.

As empresas têm tamanhos totalmente diferentes – enquanto a exchange norte-americana tem quase 50 milhões de usuários, a brasileira tem cerca de 2,5 milhões. No entanto, ambas apresentam curvas de crescimento semelhantes e atuam no mesmo setor. Assim, é de se esperar que a resposta do mercado à listagem da Coinbase possa servir de referência para a operação brasileira, e, com as devidas ressalvas, também ao seu valuation.

As perspectivas sobre o valor de mercado da Coinbase são bastante divergentes, e variam de 68 bilhões a mais de 100 bilhões de dólares. Como o Mercado Bitcoin tem, a grosso modo, 5% do tamanho da concorrente, valeria, usando a Coinbase como referência, algo entre 3 e 5 bilhões de dólares – ou de 17 a 30 bilhões de reais. “Esse valor soa um pouco exagerado, mas algo entre 10 e 15 bilhões de reais é provavelmente realista”, disse uma fonte próxima à empresa.

Apesar de ser uma referência para o valuation da empresa brasileira, a comparação não é precisa, já que tem influência de uma série de outros fatores, como o fato da Coinbase ser uma empresa global e o Mercado Bitcoin restrito ao mercado latino-americano. Além disso, o tamanho das empresas perde relevância se os seus resultados não seguirem a mesma proporção – recentemente, a Coinbase anunciou resultados do primeiro trimestre de 2021, com lucro de quase 1,8 bilhão de dólares (10 bilhões de reais) no período. O Mercado Bitcoin, por sua vez, não divulga seus resultados publicamente, mas negociou quase 20 bilhões de reais no primeiro bimestre de 2021, mais de três vezes o volume registrado ao longo de todo o ano de 2020.

Assim como a Coinbase, que já recebeu 550 milhões de dólares em investimentos, a companhia brasileira também levantou capital no mercado: em janeiro, recebeu 200 milhões de reais com GP Invesments, Parallax Ventures e Banco Plural. A exchange é líder no setor de negociação de criptoativos no pais, mercado que movimentou 15 bilhões de reais apenas em janeiro, segundo a Receita Federal.

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