Governo federal, por sua vez, já é alvo de apuração a respeito de recomendação para uso de remédio sem eficácia

Viatura da Polícia Federal no Rio de Janeiro 28/07/2015 REUTERS/Sergio Moraes (Sergio Moraes/Reuters)

Caso a ampliação da Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) sobre Covid-19 se confirme, senadores do colegiado deverão se debruçar sobre pelo menos 76 operações deflagradas pela Polícia Federal — com 147 prisões e 1.160 mandados de busca e apreensão — desde o início da pandemia que miram governadores e prefeitos. As investigações avançaram sobre o governo de dez estados e tratam sobre fraudes em licitações, superfaturamento de contratos e desvios de verbas. Há ainda apurações que atingem o governo federal, incluindo o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, em função da recomendação do uso de remédios sem eficácia no Amazonas e no Pará.

Segundo a PF, os valores de contratos suspeitos de irregularidades nos estados totalizam mais de R$ 2,1 bilhões. Desde abril do ano passado, houve operações contra integrantes de pelo menos dez governos estaduais — dois governadores, Wilson Witzel (PSC), do Rio, e Carlos Moisés (PSL), de Santa Catarina, estão afastados respondendo a processos de impeachment por fraudes em gastos emergenciais na Saúde. Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia e Roraima são outros estados que tiveram governadores ou secretários na mira da PF.

Witzel foi alvo da Operação Placebo, em maio de 2020, que investigava irregularidades na contratação da organização social (OS) Iabas para gerir sete hospitais de campanha do governo do Rio. Os contratos somam R$ 836 milhões. Em agosto, em nova operação da PF, a Tris In Idem, Witzel foi afastado do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O Ministério Público Federal (MPF) havia chegado a pedir a prisão do governador.

Em Santa Catarina, Moisés foi alvo da PF em setembro na Operação Pleumon, que realizou buscas e apreensões para investigar um gasto de R$ 33 milhões na compra de respiradores. A suposta fraude também levou à abertura de processo de impeachment, que afastou Moisés do cargo, em março, pela segunda vez.No Pará, a Operação Para Bellum, em junho, também mirou compra de respiradores pelo governo do estado. A investigação, que teve entre seus alvos o governador Helder Barbalho (MDB), apura um contrato de R$ 50,4 milhões por respiradores que apresentaram defeitos. Barbalho voltou a ser alvo da PF em setembro, na Operação S.O.S., destinada a apurar contratos de R$ 1,2 bilhão firmados para gerenciar hospitais de campanha.

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