Manchetes da mídia ocidental pintaram a ação da China como uma traição aos compromissos de mitigação da mudança climática: “A China procura impulsionar a produção de carvão, colocando em risco a meta climática”, disse a revista Nikkei Asia na sexta-feira (21), a rádio NPR resumiu no mesmo dia: “A China promove o carvão contrariando os esforços de reduzir as emissões”, enquanto a CNN falou de um “gesto amigável para Moscou” em meio às sanções ocidentais contra as exportações russas de energia.
No mês passado, o Washington Post também declarou que “com a ascensão do carvão, a China coloca a segurança energética e o crescimento antes do clima”.
No entanto, na sexta-feira (20) a Comissão Europeia anunciou que precisaria aumentar o consumo de carvão a fim de compensar suas reduções previstas no consumo de gás russo. Segundo o jornal Financial Times, a União Europeia (UE) queimará 5% a mais de carvão do que o previsto anteriormente durante os próximos cinco a dez anos, mas observou que os funcionários do bloco ainda afirmam que a UE atingirá suas metas de redução de emissões até 2030.
Os EUA também estão aumentando a produção de carvão. De acordo com um relatório divulgado no início deste mês pela Administração de Informação de Energia nacional, espera-se que a produção de carvão nos EUA aumente 3% este ano, à medida que o país enfrenta seu próprio boicote às exportações russas de energia, anunciado no início de março. Ao mesmo tempo, tal como a UE, os EUA dizem que seu uso do carvão continuará diminuindo.
O aumento da produção de carvão é tanto a causa como consequência do aumento dos preços do carvão. Em outubro de 2021, os preços internacionais do carvão atingiram US$ 280 (R$ 1.336,88) por tonelada métrica e, após um certo declínio, a operação especial da Rússia na Ucrânia, que começou em fevereiro de 2022, os fez saltar novamente para preços nunca antes vistos, de US$ 440 (R$ 2.147,95) por tonelada métrica.