• sábado , 26 Maio 2018

Tristeza e indignação marcam velório de ex-namorada assassinada por PM

Pelo menos três idosos se sentiram mal durante as despedidas e precisaram que o Corpo de Bombeiros lhes aferissem a pressão arterial. Um deles era o avô de Jéssyka

Cerca de 200 pessoas compareceram à cerimônia, que foi marcada pelos sentimentos de tristeza e indignação geral diante de uma morte precoce e violenta. (foto: Luís Nova/Esp. CB/D.A Press)

 

Está sendo realizado na manhã deste domingo (6/5) o velório de Jéssyka Laynara da Silva Souza, 25, assassinada a tiros pelo ex- namorado, o soldado da Polícia Militar Ronan Menezes, 27. Cerca de 200 pessoas compareceram à cerimônia, que foi marcada pelos sentimentos de tristeza e indignação geral diante de uma morte precoce e violenta.

Na capela 1 do cemitério Campo da Esperança de Taguatinga, sons de choro copioso se misturam a preces e músicas religiosas. Amigos e familiares usam blusas com fotos de Jéssyka e pedindo justiça. Nas costas, a frase: “Ficam as lembranças para contar como foi sua vida e restam as saudades para lembrar a falta que você fará”.

O velório começou por volta de 8h30 e o sepultamento está marcado para as 11h30. Pelo menos três idosos se sentiram mal durante as despedidas e precisaram que o Corpo de Bombeiros lhes medissem a pressão arterial. Um deles era o avô de Jéssyka.

Para o primo dela, Fábio da Silva, Ronan planejava o crime há meses. “Ele dizia que não seria preso porque era policial e, se fosse, que seria por pouco tempo. Ele tem que pegar a pena máxima”, afirmou. Fábio confirma que é o segundo feminicídio na família. “Ele destruiu a vida do pai dela, que há mais de 10 anos perdeu a irmã do mesmo jeito”.

 

Segundo ele, a avó dele e da vítima, que presenciou o crime, permanece em choque, sem saber direito o que aconteceu. “Foi na casa dela, na frente dela. Como ela vai voltar a viver lá?”, questiona.

 Às 11h30, pouco antes do sepultamento, um caminhão do Corpo de Bombeiros apareceu para prestar homenagem à Jéssyka. Ela havia passado no último concurso e entraria para a corporação nos próximos meses.

Entenda o caso 

Jéssyka foi assassinada dentro de casa pelo ex-namorado na tarde de sexta-feira (4/5). Ele foi até a residência da vítima, localizada na QNO 15, e realizou cinco disparos contra ela. Em seguida, um homem identificado como Pedro Henrique da Silva Torres foi atingido por três disparos de arma de fogo no interior de uma academia na EQNO 2/4. Testemunhas afirmaram que Ronan seria o atirador.

Segundo informações da Polícia Militar, Ronan se entregou no batalhão de Ceilândia por volta das 22h desta sexta com a presença de uma advogada. Ele foi preso em flagrante e conduzido à 24ª Delegacia de Polícia (Ceilândia) e em seguida transferido para o 19º Batalhão da PMDF, localizado no Complexo Penitenciário da Papuda. A Polícia Civil abrirá inquérito para apurar o caso e Ronan responderá civil, penal e administrativamente.

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