• segunda-feira , 18 junho 2018

Secretaria tem 28 lotes para construir escolas em Águas Claras, mas não há previsão

Foto: Andre Borges/Agência Brasília

Uma das regiões que mais crescem no Distrito Federal carece de serviços públicos, entre eles a educação. Águas Claras dispõe de 28 lotes da Secretaria de Educação, que podem ser destinados para tais construções, mas não há qualquer previsão. Para cobrar uma solução, moradores da região administrativa iniciaram um abaixo-assinado.

Cidades do DF tão populosas como Águas Claras são mais abastecidas nesse quesito. É o caso do vizinho Guará, que possui mais de 132 mil habitantes e 20 escolas públicas. Águas Claras, por sua vez, abriga aproximadamente de 148 mil moradores e não tem nenhum colégio de ensinos Fundamental e Médio no coração da região.

O fato começou a incomodar moradores, que levantaram a questão na Associação dos Moradores e Amigos de Águas Claras (Amaac). Foi então que a empresária Neusa Behrmann, 44 anos, sugeriu a mobilização. O grupo criou o abaixo-assinado para recolher assinaturas pedindo escolas públicas na área. O documento será encaminhado ao governador Rodrigo Rollemberg.
“Temos várias pessoas que necessitam desse serviço. Além disso, precisamos mudar a concepção de que escola pública é ruim. Uma escola participativa, com a interação da comunidade, tende a dar certo”, ressalta Neusa.

Neusa e Marcelo mostram abaixo-assinado Foto: Reprodução/Facebook

A empresária tem dois filhos. Uma já concluiu o ensino superior e o mais novo, de nove anos, estuda no Centro Educacional Católica de Brasília (CECB), em Taguatinga. Ela afirma que transferiria seu filho caso houvesse ensino público perto de casa.
“O benefício seria a questão do desenvolvimento, pois aluno que estuda em escola pública convive com crianças de várias classes socioeconômicas e interage com outros mundos. Isso faz com que não se torne uma pessoa alienada”, avalia.

Direito

Alexandre Varela, 49, pedagogo, defende que o serviço público é direito do cidadão. “Considero que a escola pública é uma instituição mais isenta que a escola particular e tem qualidade. A formação é uma função do Estado”, pondera.

Ele tem dois filhos: um deles já concluiu o ensino médio e outra estuda em escola pública do Plano Piloto. “Temos de fazer um deslocamento que, se houvesse escola pública aqui, não teria necessidade”, lamenta.

Já são 250 assinaturas no abaixo-assinado manuscrito. Além disso, para aumentar a mobilização, os organizadores vão abrir um documento para colher assinaturas on-line.

Um dos organizadores do abaixo-assinado é Marcelo Marques, 46 anos, empresário e um dos diretores da Amaac. Ele também reforça que é obrigação do estado oferecer saúde, educação e segurança. “Não consigo entender o motivo para Águas Claras não possuir nenhuma escola pública”, reclama o morador.

Para Marcelo Marques, o primeiro benefício ao existir uma escola pública em Águas Claras é o fator econômico. “Outra melhoria seria no trânsito, pois reduziria o número de veículos que se deslocam todos os dias para deixar os filhos nas escolas. Além, claro, da qualidade de vida dos pais e alunos”, pondera o empresário.

Pode gerar economia

Alexandre engrossa o coro. O pedagogo diz que o deslocamento é a maior dificuldade encontrada com o fato de ter uma filha estudando longe de casa. “Ela entra às 7h20 na escola e tem de sair de casa por volta de 6h30”, conta. E no meio caminho há outro transtorno: a falta de transporte público. “Em Águas Claras, para se deslocar até o Plano Piloto, só há o metrô. Não há ônibus direito, nem um circular”, analisa.

No dia a dia da família, o fato de a filha estudar tão longe de casa atrapalha e causa estresse também à garota, que poderia ter mais tempo de estudar em casa se a escola fosse próxima.

Marcelo, por sua vez, conta que esse sentimento comum motivou a associação de moradores a se mobilizar por melhorias e arregaçar as mangas.

“Também fomos à Secretaria de Educação e notificamos a pasta, bem como a administração regional. Queremos saber sobre os lotes destinados à educação e também a demanda para a área. Ainda estamos aguardando resposta”, completa o diretor da Amaac.

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