Ministro, que tem evitado questionamentos de jornalistas após pedido de investigação sobre sua conduta na crise de Manaus, saiu sem participar da entrevista coletiva. Na semana passada, ele fez o mesmo no estado do Amazonas

(crédito: Mauro Pimentel/AFP)

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, tem evitado entrevistas nos últimos dias, buscando ficar menos exposto aos holofote e se desvencilhando dos espaços para perguntas de jornalistas. Desde o pedido de investigação do procurador-geral da República, Augusto Aras, ao Supremo Tribunal Federal (STF), e a determinação de abertura de inquérito na Polícia Federal para apurar a conduta do ministro na crise de oxigênio em Manaus, ele não tem participado de coletivas. O general faz pronunciamentos, mas não espera o momento das perguntas.

Nesta sexta-feira (5/2), a situação se repetiu. O ministro foi a um evento de lançamento do edital para construção do Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. Segundo a fundação, o novo complexo possibilitará um aumento da capacidade de produção de vacinas e biofármacos em quatro vezes.

Pazuello fez um pronunciamento falando sobre as vacinas contra a covid-19, citando os contratos já assinados pelo ministério, além de ressaltar negociações que, segundo ele, a pasta mantém com outros laboratórios, como Janssen, Pfizer, instituto Gamaleya e Bharat Biotech. “Todas elas estão na prateleira de negociações”, disse, ressaltando a indispensável anuência da Anvisa para isso.

Quando foi aberto o espaço para as perguntas, entretanto, o ministro não participou da mesa, onde ficaram a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, e o diretor de Bio-Manguinhos, Maurício Zuma Medeiros.

Investigação

Desde que a PGR pediu abertura de investigação contra Pazuello, em 23 de janeiro, o ministro não se submeteu mais aos questionamentos diretos dos jornalistas. Na época, o general foi ao Amazonas e por lá passou a semana. Em 26 de janeiro, o ministro fez um pronunciamento de cerca de 15 minutos durante a abertura da enfermaria de campanha no Hospital Nilton Lins, em Manaus, e saiu antes do início das perguntas.

Na ocasião, o governador do Amazonas, Wilson Lima, disse que o ministro teria que sair pois teria um compromisso em seguida. Apenas o governador ficou para responder às perguntas.

No dia seguinte, 27 de janeiro, Pazuello participou da abertura de uma enfermaria de campanha do Hospital Delphina Aziz (AM), mas desta vez não fez nem pronunciamento. A conduta se difere da primeira visita que Pazuello fez ao estado amazonense, quando procurou participar de todas as transmissões e não deixou de responder aos jornalistas.

No dia 29, o ministro participou de uma cerimônia para recepcionar profissionais do Programa Mais Médicos, em Manaus. Na ocasião, data em que a PF abriu investigação contra o ministro, ele fez um pronunciamento de 20 minutos, falando de diversos assuntos relativos à pandemia do novo coronavírus, entre eles a nova cepa identificada no estado, e dizendo que transferir 1,5 mil pacientes seria a única solução para evitar mortes na região. Não houve entrevista coletiva.

Nesta semana, de volta a Brasília, constaram em sua agenda reuniões internas na segunda, terça e quinta-feira, videoconferência com a Frente Parlamentar da Indústria de Medicamentos na quarta-feira e o compromisso na Fiocruz, no Rio de Janeiro, nesta sexta.

Depoimento

Após pedido da PGR e determinação do Supremo, a PF abriu inquérito contra o ministro. Na última quinta-feira (4), ele foi ouvido por policiais no Hotel de Trânsito do Exército, em Brasília, e negou que tenha havido qualquer omissão de sua parte na crise de Manaus.

A investigação foi aberta depois que a Advocacia-Geral da União (AGU), após pedido de explicações do STF, informou que o ministro sabia da iminência de falta de cilindros de oxigênio desde 8 de janeiro, seis dias antes de o sistema entrar em colapso e pessoas começarem a morrer por asfixia nos hospitais por falta do insumo. O próprio ministro confirmou, em entrevista coletiva, a informação, ressaltando, entretanto, que atuou para evitar o colapso.

Além da investigação, o ministro está sendo questionado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que apontou ilegalidade na compra de medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-10 com recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

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