• domingo , 24 março 2019

Inteligência artificial da IBM não consegue superar ser humano

Ambos os participantes receberam o tópico de discussão no mesmo momento e tiveram 15 minutos para sintetizar os argumentos

(foto/Getty Images)

A International Business Machines (IBM) não conseguiu provar que as máquinas podem triunfar sobre o homem. Mas chegou perto.

O sistema de debate com inteligência artificial da gigante da tecnologia, que tem seis anos e foi apelidado carinhosamente de “Miss Debater”, enfrentou de igual para igual um dos praticantes mais condecorados do mundo na segunda-feira. Depois de uma discussão acalorada de 25 minutos sobre os subsídios à educação pré-escolar – durante os quais a IA com voz feminina mostrou lampejos de um senso de humor bastante humano -, o público concedeu a vitória a Harish Natarajan, de 31 anos.

Essa competição pouco ortodoxa foi a mais recente, e altamente anunciada, disputa entre o homem e a máquina. Em 1996, a IBM criou um sistema de computador que venceu um grande mestre de xadrez pela primeira vez. Em 2011, seu supercomputador Watson derrotou dois competidores campeões de Jeopardy!. E AlphaGo, da Alphabet, provou que a IA consegue dominar o antigo e intrincado jogo Go. Mas o debate – que requer criatividade e elocução emotiva – tem sido mais difícil.

A máquina da IBM – conhecida formalmente como Project Debater – começou a disputa de segunda-feira com uma saudação insolente. “Ouvi dizer que você detém o recorde mundial de vitórias em competições de debate contra seres humanos, mas suponho que você nunca debateu com uma máquina. Bem-vindo ao futuro.”

O evento foi realizado diante de centenas de jornalistas, especialistas do setor de tecnologia e engenheiros de software na conferência Think, da IBM, no centro de São Francisco. O assunto: deveríamos subsidiar pré-escolas. A CEO Ginni Rometty estava entre os espectadores, que votaram em Natarajan como vencedor, mas também disseram que a máquina da empresa dela enriqueceu melhor seus conhecimentos.

Ambos os participantes receberam o tópico de discussão no mesmo momento e tiveram 15 minutos para sintetizar os argumentos em um discurso de quatro minutos, uma refutação de quatro minutos e um resumo de dois minutos. Da altura de um ser humano, a ameaçadora caixa preta do Project Debater permaneceu em silêncio, exceto por três círculos azuis que giravam, enquanto considerava mais de 10 bilhões de frases de artigos de notícias e revistas científicas. De frente para ela no palco, Natarajan rabiscava anotações em folhas de papel.

Embora a IA tenha perdido, o evento foi uma espécie de auge para o progenitor do projeto, Noam Slonim. Sentado na primeira fila na noite de segunda-feira, o pesquisador da IBM ria e se contraía durante o processo. Ele sabia que não eram os favoritos: Natarajan detém o recorde mundial de vitórias em competições de debate e participou de três campeonatos mundiais, inclusive venceu o torneio europeu em 2012.

“É como se você estivesse sentado na plateia e seu filho estivesse no palco competindo contra um pianista de renome mundial na frente de todo mundo”, disse ele.

Ao contrário do xadrez ou do Jeopardy!, o debate requer conectar-se com as pessoas e convencê-las de um ponto de vista. A apresentação dos argumentos é fundamental, e “isso é território humano”.

A maior vantagem que qualquer ser humano tem sobre o Project Debater é a capacidade de transmitir a fala com emoção, usando tons, inflexões e pausas para influenciar o público. Há uma semana em Londres, Natarajan previu que ele poderia ter vantagem. “Imagino que neste estágio um ser humano ainda tem mais facilidade do que uma máquina para elaborar argumentos lógicos de uma maneira razoavelmente convincente para um público humano”, disse ele na época.

Fone Exame

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