• segunda-feira , 18 fevereiro 2019

Filhos de mulher morta na 316 Norte podem receber medidas protetivas

Justiça determina a prisão preventiva de Ranulfo do Carmo Filho, que matou a tiros a mulher e feriu à bala o filho mais velho. Até a noite de ontem, o servidor do TJDFT estava internado na UTI do Hospital de Base

Parentes e amigos se despediram da dona de casa Diva Maria Maia da Silva, no cemitério Campo da Esperança
(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

“Por favor, não faça isso”, foram as últimas palavras da dona de casa Diva Maria Maia da Silva, 69 anos, antes de ser morta. Assustada e em estado de choque, após ver o filho mais velho, Régis do Carmo Corrêa Maia, 46, levar três tiros no peito, ela se escondeu atrás do sofá da sala do apartamento, no primeiro andar do Bloco E da 316 Norte, na manhã de segunda-feira (28/1). O marido, Ranulfo do Carmo Filho, 72, que acabara de recarregar o revólver calibre .38 usado para atingir o outro homem no imóvel, mirou na mulher com quem era casado há quase meio século. Ele disparou as seis balas contidas no tambor da arma. Cinco acertaram a esposa, que caiu morta.Os detalhes da barbárie e o risco de morte aos filhos de Ranulfo e Diva influenciaram a juíza Flávia Pinheiro Brandão, do Núcleo de Audiências de Custódia, a decretar a prisão preventiva do assassino confesso, em audiência de custódia realizada na manhã de ontem. Ranulfo confessou à magistrada ter adquirido a arma de fogo há um ano — o revólver tem ligação com um roubo no Mato Grosso.

Flávia citou parte do depoimento de Rejane do Carmo Frota e Cysne, 42 anos, filha de Ranulfo e Diva. Ela afirmou não ter sido vítima do pai por não estar presente no apartamento durante os tiros, pois teria defendido a mãe, assim como Régis. O aposentado, que havia sido preso em flagrante e passado a noite no complexo da Polícia Civil, será transferido para a penitenciária Papuda, onde deve ficar até o julgamento, caso não consiga um habeas corpus.

“Há necessidade da segregação em razão das circunstâncias que envolvem o caso concreto e do histórico de violência doméstica e familiar. E não é só. A prisão também se faz necessária para garantia de aplicação da lei penal, uma vez que o autuado empreendeu fuga após o cometimento dos delitos”, afirmou a juíza em sua decisão. Caso Ranulfo seja colocado em liberdade, Régis e Rejane receberão medidas protetivas. O aposentado ficará proibido de manter contato com familiares por qualquer meio de comunicação, deverá manter distância de até 500m deles e não pode deixar o Distrito Federal por mais de 30 dias. O autônomo também não poderá mudar de endereço.

Vizinha na mira

Diva e Régis tinham voltado de Goiânia (GO) na manhã do crime. Logo após mãe e filho entrarem no apartamento dela, Ranulfo chegou no imóvel. Pai e filho começaram a discutir, quando uma vizinha do casal entrou no local por causa da gritaria. Ela presenciou tudo o que aconteceu na residência. Ranulfo pegou a arma de fogo escondida em cima do armário do quarto e voltou para a sala.

Primeiro, ele acertou o filho com quatro tiros. A testemunha estancou o sangue de Régis e tentou acalmar Diva. O homem voltou ao quarto para recarregar o revólver e retornou, mirando-as. A vizinha se escondeu atrás do sofá e “disse para Diva fazer a mesma coisa (se esconder), mas Ranulfo a encontrou”. A esposa implorou pela vida, mas foi em vão. Os primeiros disparos foram contra a cabeça dela.

Bombeiros encontraram Régis caído no imóvel, com hemorragia grave. Ele foi internado na ala vermelha do Hospital de Base. Três dos disparos acertaram o peito e um, o ombro. Uma das balas atingiu o pulmão e médicos precisaram drenar a região.

Morador do Sudoeste, o servidor do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) também passou por procedimento cirúrgico para retirar o projétil do ombro. Ele estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de trauma, até a noite de ontem, estabilizado e consciente.

Fuga e prisão

Após cometer o crime, Ranulfo deixou a arma ao lado das vítimas. Desceu pelas escadas, caminhou até o estacionamento público em frente o bloco, onde entrou no carro, um Cross Fox branco, e fugiu. Um helicóptero da Polícia Militar o localizou e acionou equipes em terra, que cercaram e prenderam o assassino na Epia Sul, em frente à Quadra 8 do Park Way, em direção ao Gama, a cerca de 25km do local do crime.

Ranulfo confessou o crime em depoimento na 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte). A filha mais nova do casal, Rejane também depôs na unidade. Ela descreveu o pai como “uma pessoa possessiva e muito ciumenta, demonstrando um comportamento doentio.” Afirmou que Ranulfo era agressivo não apenas com a mãe, mas com ela e o irmão. Como eles defendiam Diva, ambos foram ameaçados de morte pelo pai. Ranulfo confirmou as brigas e as ameaças.

Dor e despedida

O velório de Diva, mineira de Uberaba, começou por volta das 12h de terça-feira (29/1), no Cemitério Campo da Esperança. Por volta das 15h30, cerca de 50 pessoas estavam no local e começaram a prestar as últimas homenagens à dona de casa, que morava em Brasília há quase 40 anos. Entre canções religiosas evangélicas, muitos pediram orações para Régis. Rejane permaneceu ao lado do corpo da mãe durante toda cerimônia e foi uma das últimas pessoas a deixar o cemitério. Diva foi sepultada às 16h. Ninguém quis dar entrevista ou falar em nome da família. Fonte: Correio Braziliense

 

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