• terça-feira , 20 Fevereiro 2018

Fãs do Babydoll de Nylon criam bloco ‘alternativo’ para o carnaval de Brasília

Grupo de amigos chamou ‘Órfãos de Babydoll’ pelas redes sociais; ideia é festejar no sábado de carnaval, na Praça do Cruzeiro. Impasse sobre licença e uso da área coloca evento em risco.

Foliões na Praça do Cruzeiro no desfile do bloco Babydoll de Nylon, em Brasília (Foto: Paulo Cavera/Divulgação)

Responsável por arrastar milhares de foliões no carnaval de Brasília, o bloco Babydoll de Nylon deixou uma legião de fãs “órfãos” ao anunciar que não ocuparia as ruas da capital em 2018. Esse sentimento acabou virando o nome de um novo evento, o Órfãos de Babydoll, que pretende ir às ruas no sábado de carnaval (10 de fevereiro), na Praça do Cruzeiro.

A ideia é reunir, de forma não oficial, os entusiastas do verso que diz que o “Babydoll de Nylon combina com você”, e que se tornou símbolo do carnaval do Plano Piloto nos últimos anos. Lançada na última sexta (19), a iniciativa já contabilizava 3,7 mil interessados até a tarde desta quarta-feira (24).

Apesar do engajamento dos brasilienses, a Secretaria de Cultura informou que os organizadores do Órfãos de Babydoll não cadastraram o bloco no Centro Integrado de Apoio ao Carnavalesco (CIAC) – etapa necessária para que o GDF emita a licença –, e que o período para inscrição dessas atividades foi encerrado em 15 de janeiro.

Ou seja, embora o bloquinho já tenha entrado para a agenda de muitos foliões do DF, sem a emissão da licença, o evento não poderá ser feito na data e no local divulgados na página do evento nas redes sociais.

Em busca da papelada

Idealizador da folia, o jornalista Marcos Santana disse que, diante da quantidade de pessoas que pretende comparecer à festa, enviou um pedido para o uso da Praça do Cruzeiro à Administração do Plano Piloto.

A Gerência de Licenciamento Eventual – setor da administração –, no entanto, afirmou que, até a tarde desta quarta, não havia recebido a solicitação. Ainda segundo o órgão, em 10 de fevereiro, a Praça do Cruzeiro será palco de uma outra atividade, que já foi confirmada.

Mesmo com o impasse sobre o uso da área, Marcos Santana, que há três anos acompanha a folia Babydoll de Nylon, disse que “Brasília não pode ficar sem o bloco que se transformou em uma das marcas da cidade”.

“Na última quinta-feira (18), fomos surpreendidos pela notícia mais triste do Carnaval de Brasília: não teremos Babydoll de Nylon! Depois de muito choro e gritaria, nos acalmamos e resolvemos levantar o gliter e dar a volta por cima. Sendo assim, iremos nos juntar na praça do Cruzeiro para manter viva tradição de que ‘o babydoll de nylon combina com você, você e você'”, escreveu o jornalista na descrição do evento no Facebook.

Segundo Santana, o encontro também será uma forma de protesto contra o governo do Distrito Federal. O jornalista engrossou as críticas que foram feitas pelos responsáveis do Babydoll de Nylon à Secretaria de Cultura.

Babydoll na gaveta

Na semana passada, o organizador do tradicional bloco de rua, David Murad, afirmou que desistiu de participar da folia de 2018 porque a Secretaria de Cultura atrasou na liberação do patrocínio pela iniciativa privada.

“A ideia era reunir de amigos e protestar pela ausência de investimentos do GDF em alguns blocos da cidade. O evento também é para protestar e dizer que o carnaval de Brasília tem de existir”, disse o idealizador do Órfãos de Babydoll.

Em resposta às críticas feitas pelo Babydoll de Nylon, a Secretaria de Cultura informou que que “não recebeu solicitação de apoio” do grupo. “Todos os blocos que aderiram ao Plano de Carnaval serão contemplados com estrutura e atrações artísticas num volume maior que o dobro do investido em 2017”, apontou em nota.

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