• sábado , 17 novembro 2018

EUA pedem a americanos que evitem regiões do DF por ‘questões de segurança’

Documento recomenda que turistas e funcionários do governo evitem visitas noturnas às regiões de Ceilândia, Santa Maria, São Sebastião e Paranoá. GDF rebate inclusão na lista e afirma que moradores convivem em situação de ‘absoluta normalidade’.

Um documento do Departamento de Estado norte-americano incluiu quatro regiões do Distrito Federal na lista de cidades em que turistas e funcionários do governo dos Estados Unidos (EUA) não são recomendados a visitar no Brasil.

Entre os locais citados estão as regiões de Ceilândia, Santa Maria, São Sebastião e Paranoá. A recomendação inclui, ainda, o alerta para “bairros de favela” em cidades brasileiras como Rio de Janeiro e Recife.

Por meio de nota divulgada nesta quinta-feira (11), o governo de Brasília rebateu a inclusão das regiões do DF na lista de alerta. No texto, o GDF diz “rechaçar” essa colocação do Departamento de Estado dos Estados Unidos. “A realidade da segurança das quatro cidades citadas não pode ser comparada com outras localidades violentas no Brasil e no exterior”.

“Nelas [regiões] vivem cerca de 600 mil habitantes, que trabalham, que estudam e convivem numa situação de absoluta normalidade.”

Entre os locais a serem evitados – por questões de segurança -, o governo dos Estados Unidos cita, ainda, como alerta de “áreas perigosas”, a estação Rodoviária Central de Brasília, especialmente no perído entre as 18h e 6h da manhã. Além dos “distritos de luz vermelha” de São Paulo, localizados na Rua Augusta e na Avenida Paulista.

Trecho do documento do Departamento de Estado dos EUA (Foto: Travel State Gov/Reprodução)

A justificativa para as recomendações, de acordo com o documento, seria a “alta taxa de criminalidade” na maioria dos centros urbanos brasileiros, principalmente em transportes públicos, setores hoteleiros e áreas turísticas. “Esses incidentes podem acontecer em qualquer lugar e a qualquer momento”, diz o governo americano.

Em contraposição ao texto, o Buriti afirmou que nas regiões citadas, ocorrem crimes “como em qualquer cidade no mundo”, mas tudo dentro da “normalidade”.

Em nota divulgada à imprensa, a embaixada dos EUA no Brasil afirma que as informações de viagem do sistema de mensagens de consulados norte-americanos não é nova e já existiam em avisos anteriores, alertas e mensagens de emergência e segurança.

“O novo aviso não representa uma alteração substancial à informação anterior publicada para os cidadãos americanos que visitam o Brasil.”

Para inclusão das cidades na lista, a representação dos EUA em Brasília diz considerar “muitos fatores” que determinam o nível de aviso de viagem para cada país. O Brasil é listado como “nível 2” – de países que requerem maior cuidado – em uma escala que vai até ao “nível 4”, de regiões não recomendadas para viagens.

“A informação utilizada […] é coletada de várias fontes, incluindo estatísticas da criminalidade e outras informações disponíveis publicamente”.

Segurança pública

A recomendação foi divulgada na mesma semana em que o GDF anunciou a redução nas taxas de homicídios no Distrito Federal. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, houve 498 mortes violentas no DF em 2017 – o menor número absoluto dos últimos 15 anos.

Em termos relativos, os números representam 16,3 ocorrências por cada grupo de 100 mil habitantes. De acordo com o secretário Edval Novaes, é a menor taxa dos últimos 29 anos.

“Os dados foram extremamente satisfatórios. […] E isso é extremamente positivo para população do DF, o que faz com que a sensação de segurança seja cada mais resgatada.”

Seguindo a mesma tendência, na classificação de “crimes contra o patrimônio” também houve uma redução (5,6%) em 2017. O número de roubos a comércio é o tipo de crime que teve a maior queda no DF, de 23%. Foram 2,1 mil ocorrências no ano passado, contra 2,7 mil em 2016.

Já a modalidade de furto a veículo foi a que apresentou a menor redução (1,1%) em 2017: foram 12,7 mil registros desse tipo em 2016 e 12,6 mil no ano passado. Seguida por roubo a pedestre (3,8%), que registrou 36,7 mil ocorrências no ano passado, contra 38,2 mil de janeiro a dezembro do ano anterior.

Roubos a veículo e a transporte coletivo caíram 14,3%. As ocorrências pularam de 5,6 mil e 3,1 mil , respectivamente, em 2016, para 4,8 mil e 2,5 mil no ano passado.

Histórico de avisos

O alerta feito pelo Departamento de Estado norte-americano não é inédito. Em 2015, um documento elaborado pela Embaixada dos Estados Unidos no DF orientava funcionários e cidadãos norte-americanos a não frequentar as regiões mais afastadas do Plano Piloto no período noturno.

Segundo o texto, “roubos, assaltos e invasões de propriedade são preocupações de brasileiros e estrangeiros” em Brasília – especialmente nas “cidades-satélite”. O então secretário de Segurança Pública, Arthur Trindade, classificou o aviso como “preconceituoso”.

Durante os preparativos para a Copa do Mundo do Brasil, em 2014, a França também criticou as condições de segurança do Brasil. Em um documento, o país europeu alertava aos cidadãos sobre “risco de sequestro-relâmpago a qualquer hora do dia ou da noite”. Os turistas franceses foram orientados, por exemplo, a evitar estacionar os carros em locais afastados ou mal iluminados.

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