• terça-feira , 20 novembro 2018

Em Vicente Pires, obra atrasa e cidade fica inundada e devastada

Breno Esaki

Toda vez que chove em Vicente Pires ocorrem vários transtornos na região, e ontem não foi diferente. Ruas ficaram completamente alagadas, e a população reclama ainda dos buracos. A solução viria com as obras da rede de drenagem das águas pluviais, mas até agora nada foi concluído. A previsão inicial do governo era entregar a infraestrutura em parte da região até dezembro passado. No entanto, onde a construção é considerada mais adiantada, só 35% dela foi executada. E a situação de uma ponta a outra de Vicente Pires deixa claro que há muito a ser feito.

Os locais mais prejudicados ontem foram as ruas 3, 5, 8 e 10. Segundo relatos, na Rua 3 e 3B, onde há uma obra de lagoa de contenção, o local parecia um rio de lama. Milena Silveira, 34, trabalha em uma administradora de condomínios na Rua 3 e conta que sempre há problemas: “Já presenciamos acidentes devido ao acúmulo de água”.

Ela conta que chega a ser impossível atravessar a rua: “Pessoas já caíram e veículos estragaram aqui em frente, sem contar a água que invade o local de trabalho. Alcança o capô dos carros”, diz.

Outra moradora, a barista Diana Leal, 29 anos, reclama não precisa nem chover em Vicente pires para os problemas aparecerem. “Basta ser em Taguatinga para a água descer e alagar as ruas”, afirma.

Outro morador da mesma rua, Gabriel Aguilar, relata que precisou buscar o filho na escola, próximo à Rua 10, e que a força da enchente era tão grande que desciam pedras. “A rua parecia um rio. As pedras poderiam rasgar pneus de carros e pessoas poderiam sair machucadas”, alerta.

Buracos

Nas ruas 8 e 10, os estragos no asfalto são enormes. Moradores relatam que toda vez que chove, piora. Mesmo com o recapeamento, os buracos voltam a aparecer devido à falta da rede de águas pluviais.

Ângela Maria Camilo Nunes, 50 anos, é moradora da Rua 10 e relata que ali também várias pedras rolaram rua abaixo. “As pedras são muito grandes e isso é um perigo para os carros e pedestres. Depois que começaram as obras de esgoto a situação piorou. Os alagamentos ficaram piores, e os buracos cada vez mais perigosos”, destaca a dona de casa.

Além disso, Ângela alerta quanto ao trânsito e à impossibilidade de pedestres transitarem: “O congestionamento fica horrível. A água passa do meio-fio e fica difícil até de andar”, observa.

Versão oficial

Todo o trabalho em Vicente Pires só deve terminar no primeiro semestre de 2019, mas cada região tem um prazo. O governo dividiu a área de aproximadamente 2.200 hectares em glebas, do número I ao IV. O trabalho teve início pelas Glebas I e III, onde as obras estariam mais adiantadas e, segundo a Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sinesp), parte deveria ter acabado em dezembro passado. Na Gleba III, uma área próxima ao Jóquei Clube, as obras de urbanização foram iniciadas em setembro de 2015. Já na Gleba I, foram iniciadas em dezembro de 2015. Este território fica situado nas imediações da Estrada Parque Taguatinga (EPTG) e do Pistão Norte (Colônia Agrícola Samambaia). Segundo levantamento da Sinesp, até o momento o percentual executado é de 20% de drenagem e 10% de pavimentação na Gleba I, e de 35% de drenagem e 30% de pavimentação na Gleba III.

Em relação às obras nas Glebas II e IV, a secretaria explicou que estas foram licenciadas somente no final de 2016. De acordo com a nota enviada pela Sinesp, esta liberação ocorreu em pleno período chuvoso e que por isso não foi possível iniciar os trabalhos de imediato. Na Gleba II, foram executados 7% de drenagem e 4% de pavimentação. Na Gleba IV, foram executados até agora cerca de 12% de drenagem e 5% de pavimentação. Na Gleba II, estão sendo construídos 99,3 km de drenagem e 124,4 km de pavimentação. Na Gleba IV, por sua vez, estão sendo executados 13,5 km de drenagem e 17 km de pavimentação.

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