• quinta-feira , 14 dezembro 2017

Edital de gestão do complexo esportivo do DF está sob consulta pública

Mané Garrincha, Ginásio Nilson Nelson e Complexo Aquático Cláudio Coutinho serão geridos em parceria público-privada. População pode opinar sobre edital que vai escolher nova administração.

Estádio Mané Garrincha em março de 2015 (Foto: Tony Winston/Agência Brasília)

O edital de gestão do complexo esportivo do Distrito Federal, que inclui o Estádio Nacional Mané Garrincha, o Ginásio Nilson Nelson e o Complexo Aquático Cláudio Coutinho, está aberto para sugestões da população a partir desta quinta-feira (16). Os prédios serão administrado pela iniciativa privada em parceria com o governo do DF, segundo anunciado em junho.

Após a Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap) apresentar as diretrizes de administração do complexo, que será chamado de “ArenaPlex”, agora o GDF abre consulta pública para que a população envie sugestões para o processo em que vão concorrer empresas interessadas em gerir, reformar e manter os prédios.

Eixo Monumental próximo ao Estádio Nacional e ao ginásio Nilson Nelson (Foto: Google/Reprodução)

As recomendações podem ser enviadas até 16 de dezembro pelo e-mail parcerias@terracap.df.gov.br ou entregues pessoalmente no protocolo-geral da Terracap, que fica no Setor de Administração Municipal Bloco F, atrás do Anexo do Palácio do Buriti.

Segundo o governo, a intenção da consulta pública é aprimorar o edital de concorrência para concessão de uso de um patrimônio público. O documento usa como base o modelo de negócio lançado em 2016 pela empresa Dubois & Co., habilitada para elaborar o modelo de gestão do ArenaPlex.

ArenaPlex

Vista aérea do complexo esportivo às margens do Eixo Monumental, que inclui o estádio Mané Garrincha (ao fundo) e o ginásio Nilson Nelson (centro) (Foto: Andre Borges/GDF)

A proposta de gestão vislumbra parcerias de longo prazo com clubes relevantes e produtores de evento, a criação de um calendário de eventos que insira o Mané Garrincha na rotina cultural da cidade, além de estimular o turismo local com eventos de abrangência nacional.

50No Nilson Nelson, segundo a Dubois & Co., será necessário reformar a infraestrutura e estimular a ocupação do espaço com treinos e jogos de basquete, vôlei e outros esportes, como lutas, além de shows e espetáculos para até 20 mil espectadores.

O Complexo Aquático Cláudio Coutinho terá de ser demolido, mas, a princípio, a empresa ficará responsável pela manutenção predial e pela garantia de que os 3.154 alunos que fazem uso do espaço mantenham as atividades. A responsabilidade pelos programas e inclusão dos alunos continua sendo do GDF.

O projeto de gestão também inclui a construção de um espaço de convivência. O plano faz alusão ao conceito de “cidade parque” de Lúcio Costa, de vivência da cidade pela apropriação dos espaços públicos pelos moradores.

‘Elefante branco’

Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília (Foto: Tony Winston/Agência Brasília)

Segundo o diretor de Prospecção de Novos Empreendimentos da Terracap, André Gomyde, a parceria público-privada para o complexo esportivo vai trazer uma economia de R$ 13,5 milhões somente no primeiro ano de efetivação da nova gestão. Anualmente, o GDF gasta R$ 8,4 milhões apenas com a manutenção do Mané Garrincha.

“Como contrapartida da concessão, a empresa ainda vai repassar anualmente R$ 5 milhões à Terracap.”

O estádio de Brasília é um dos três construídos no Brasil para a Copa do Mundo de 2014 que não tiveram planejamento para administração da obra após o evento esportivo, disse o presidente da Dubois & Co., Richard Dubois. “O estádio é inviável para realização exclusiva de eventos esportivos.”

A reforma do Mané Garrincha custou R$ 1,5 bilhão – a PF suspeita que a obra tenha sido superfaturada em R$ 900 milhões por esquema de propina que envolveu ex-governadores e órgãos públicos como a própria Terracap – e “carece de diversos reparos e reformas”, segundo Dubois.

Ligação entre a tubulação da Caesb (verde claro, acima) e dos reservatórios de chuva (abaixo) no estádio Mané Garrincha (Foto: Letícia Carvalho/G1)

Ele aponta, entre as debilidades atuais do complexo, quadras e canteiros de obras abandonados, áreas impróprias para uso, infraestrutura precária, falta de licenças e permissões, moradores de rua e usuários de drogas.

O custo inicial estimado pela empresa para garantir condições mínimas de uso dos três prédios é de R$ 80 milhões, que inclui gastos com infraestrutura e paisagismo. O investimento total, durante os 35 anos de concessão, foi orçado em R$ 387 milhões, com ingestão de R$ 4 bilhões na economia do DF

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