• domingo , 24 março 2019

Desigualdade salarial entre homens e mulheres no DF é a maior desde 2012, segundo IBGE

No Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta sexta-feira (8), dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) apontam para um aumento da desigualdade salarial entre mulheres e homens.

No Distrito Federal, as mulheres a partir dos 14 anos recebem, em média, 71,5% do salário dos homens. No contracheque, isso representa uma diferença de R$ 1.334, segundo o IBGE.

O percentual é o menor desde 2012, primeiro ano da série histórica levada em consideração no estudo. Há seis anos, as mulheres ganhavam o equivalente a 78,4% dos rendimentos dos homens.

Em nível nacional, a Pnad Contínua – que calcula a diferença do rendimento do trabalho de mulheres e homens nos grupos ocupacionais – traz indicadores mais favoráveis. As mulheres receberam, em 2018, 79,5% dos valores pagos aos homens. Neste caso, a faixa etária analisada foi de 25 a 49 anos.

Razão (%) do rendimento médio habitual de todos os trabalhos de mulheres em relação ao de homens, segundo o rendimento médio por hora trabalhada e o rendimento médio total no 4º trimestre 2012 a 2018 — Foto: IBGE/Divulgação

Razão (%) do rendimento médio habitual de todos os trabalhos de mulheres em relação ao de homens, segundo o rendimento médio por hora trabalhada e o rendimento médio total no 4º trimestre 2012 a 2018 — Foto: IBGE/Divulgação

Quando o recorte é por hora trabalhada, a diferença salarial é ainda maior, de 91,5%. Segundo o IBGE, as mulheres recebem, me média, R$ 13 por hora de serviço, enquanto os homens são remunerados com R$14,2.

Mulher trabalha usando o método da Tekoa, que prevê a aplicação da metodologia de customer experience na jornada do usuário  — Foto: Andrieli Minatti/Acervo de Tekoa

Mulher trabalha usando o método da Tekoa, que prevê a aplicação da metodologia de customer experience na jornada do usuário — Foto: Andrieli Minatti/Acervo de Tekoa

A idade é outro fator que interfere na remuneração das mulheres e amplia a distância financeira de homens que desempenham a mesma função no mercado.

A Pnad Contínua aponta que, em 2018, a mulher de 25 a 29 anos recebeu 86,9% do rendimento médio do homem (veja no gráfico abaixo).

Já na faixa etária dos 30 aos 39 anos, o percentual caiu para 81,6% e, entre os 40 e 49 anos, a diferença foi ainda maior – as mulheres ganham 74,9% do salário dos homens.

Razão (%) do rendimento médio habitual de todos os trabalhos de mulheres em relação ao de homens, segundo os grupos de idade no 4º trimestre de 2012 a 2018 — Foto: IBGE/Divulgação

Razão (%) do rendimento médio habitual de todos os trabalhos de mulheres em relação ao de homens, segundo os grupos de idade no 4º trimestre de 2012 a 2018 — Foto: IBGE/Divulgação

Inserção no mercado

Outro detalhamento feito pelo IBGE indica que a taxa de inserção das mulheres no mercado de trabalho também é menor que a dos homens.

Em 2018, o Brasil contava com 56,4 milhões de pessoas ocupadas na faixa etária dos 25 aos 49 anos. Desse contingente, 54,7% eram homens e 45,3% mulheres.

Mulher trabalha com pesquisa científica em laboratório — Foto: Pixabay

Mulher trabalha com pesquisa científica em laboratório — Foto: Pixabay

No DF, elas eram 47,3% das pessoas ocupadas a partir dos 14 anos. O percentual correspondia a 713 mil em um universo de 1,5 milhões quando os dados foram coletados, no 4º trimestre do ano passado.

Apesar de serem minoria no cenário geral do mercado de trabalho, as mulheres foram a maioria nas seguintes profissões:
  • Ocupações elementares (55,3%)
  • Serviços, comércios e mercados (59%)
  • Profissões das ciências e intelectuais (63%)
  • Apoio administrativo (64,5%)

Enquanto isso, os homens predominaram nos grupamentos que tinham, de acordo com a pesquisa, as menores participações de ocupados, como:

  • Forças Armadas, polícias e bombeiros militares (86,8%)
  • Operadores de instalações, máquinas e montadores (86,2%)
  • Trabalhadores qualificados, operários e artesãos (83,8%)
  • Agropecuária e atividades florestais, da caça e da pesca (78,9%)
Distribuição percentual (%) da população de 25 a 49 anos de idade ocupada na semana de referência, por grupamentos ocupacionais do trabalho principal, segundo o sexo no 4º trimestre de 2018 — Foto: IBGE/Divulgação

Distribuição percentual (%) da população de 25 a 49 anos de idade ocupada na semana de referência, por grupamentos ocupacionais do trabalho principal, segundo o sexo no 4º trimestre de 2018 — Foto: IBGE/Divulgação

Para cada grupo ocupacional, a pesquisa aponta, ainda, o rendimento médio dos homens e das mulheres (veja no gráfico acima). Os maiores valores foram encontrados nos grupamentos de “diretores e gerentes”, no dos “profissionais das ciências e intelectuais” e entre os membros das Forças Armadas, policiais e bombeiros.

No primeiro grupo, dos cargos de chefia, o rendimento médio das mulheres foi de R$ 4.435, o equivalente a 71,3% do valor recebido pelos homens, de R$ 6.216.

Já no grupamento das profissões intelectuais, no qual as mulheres tiveram participação majoritária de 63%, elas receberam ainda menos – o correspondente a 64,8% do salário dos homens.

A cor na balança

Mercado de trabalho brasileiro mostra que as mulheres levam desvantagem em cargos e áreas; diferenças salariais chegam a 53%  — Foto: Monty Rakusen/Cultura Creative

Mercado de trabalho brasileiro mostra que as mulheres levam desvantagem em cargos e áreas; diferenças salariais chegam a 53% — Foto: Monty Rakusen/Cultura Creative

A cor da pele ainda é um elemento que interfere no valor pago aos homens e mulheres. Na série histórica de 2012 a 2018, o IBGE verificou que as pessoas negras (pretas e pardas) ganhavam, em média, 60% do salário pago às pessoas brancas.

Já entre homens e mulheres negros, o abismo salarial é menos profundo. Enquanto as mulheres negras ganharam 80,1% do salário dos homens negros, as mulheres brancas receberam 76,2% do valor pago aos homens da mesma cor.

A explicação, no entanto, tem relação com a predominância da população negra na ocupação de subempregos. “A menor desigualdade entre rendimentos de pretos e pardo pode estar relacionada ao fato dessa população ter maior participação em ocupações de rendimentos mais baixos, muitas vezes, baseadas em piso mínimo”, explica o IBGE na pesquisa

Fonte G1

.

Veja Também