• sábado , 23 junho 2018

Conselho arquiva processo de deputado que divulgou fake news sobre Marielle

Alberto Fraga (DEM-DF) foi alvo de representação no Conselho de Ética após divulgar informações falsas sobre vereadora assassinada no Rio. Fraga disse ter errado por não checar informações.

O deputado Alberto Fraga (DEM-DF), durante a sessão desta terça (29) do Conselho de Ética (Foto: Hamanda Sousa/G1)

O Conselho de Ética da Câmara arquivou nesta terça-feira (29), por 10 votos a 1, um processo que pedia a cassação do mandato do deputado Alberto Fraga (DEM-DF).

O processo foi aberto a pedido do PSOL após Fraga divulgar fake newsnas redes sociais sobre a vereadora Marielle Franco (RJ), assassinada a tiros em março deste ano.

Alberto Fraga publicou: “Conheçam o novo mito da esquerda, Marielle Franco. Engravidou aos 16 anos, ex-esposa do Marcinho VP, usuária de maconha, defensora de facção rival e eleita pelo Comando Vermelho. Exonerou recentemente 6 funcionários, mas quem a matou foi a PM”.

Ao analisar o caso, o relator, deputado Adilson Sachetti (PRB-MT), recomendou o arquivamento do processo por entender que a publicação de Fraga não configurou quebra de decoro parlamentar.

Sachetti afirmou, ainda, que Fraga “apenas replicou a informação” explicitando “sua opinião política sobre um tema que suscitou debate e comoção nacional”.

“A conduta não configura quebra de decoro parlamentar porque o decoro está relacionado com a garantia da legalidade e prestígio do poder Legislativo. Comentário ácidos, apesar de lamentáveis, não configuram quebra de decoro”, apontou Sachetti.

O que diz o deputado

Diante da polêmica, Fraga disse ter recebido o conteúdo de uma pessoa confiável e achou que não fosse necessário fazer uma checagem da informação antes de publicar. Ele trata o episódio como uma “página virada”.

“Para mim, é uma página virada. E o que aconteceu comigo sirva de exemplo para outras pessoas”, afirmou.

À TV Globo, Fraga já havia dito que errou por não checar a veracidade dos dados.

“O arrependimento, talvez, é em ter colocado algo que eu não tenha checado, que não tenha uma informação. Por eu ser um policial, um coronel da polícia [Militar do DF], eu deveria ter tido uma informação mais consistente, de uma fonte idônea”, declarou o deputado.

Repercussão

Para o deputado Chico Alencar (PSOL–RJ), o resultado da votação desta terça deveria ter sido diferente.

“Mesmo tendo o deputado retirado a postagem, que é pouco, mesmo ele tendo dito que em um programa de grande audiência de TV falou que errou por confiar numa fonte que não era confiável, para nós é insuficiente do ponto de vista do que ele disse lá [na postagem]”, declarou.

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