• quinta-feira , 21 março 2019

Casa do futuro tem eletrodomésticos controlados à distância

Internet das coisas permitirá que geladeira avise quando os alimentos acabam ou cafeteira que é acionada pelo alarme do celular

O gasto mundial com Internet das Coisas deverá chegar a 772,5 bilhões de dólares em 2018, um aumento de 14,6% em relação aos US$ 674 bilhões gastos em 2017 (iStock/Getty Images)

Já pensou em controlar a iluminação, a temperatura, a abertura de portas e cortinas, o sistema de vigilância eletrônica e o funcionamento de eletrodomésticos à distância, por aplicativos de celular ou um simples comandos de voz? Isso já é possível graças à Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), que conecta diversos aparelhos entre si.

Grandes empresas de tecnologia, como Google e Amazon, e fabricantes de eletroeletrônicos, como Samsung e LG, vem investido nessa tecnologia, que há alguns anos é apontada como tendência nas principais feiras do setor. Entre os lançamentos de 2018 no Brasil, o destaque foi uma nova linha de ar-condicionado e um closet inteligente que seca, esteriliza e passa as roupas, borrifando ar quente nas peças, ambos da LG. A marca ainda possui TVs, refrigerador, fogão e lava e seca inteligentes, que podem ser controlados pelo celular com um aplicativo próprio.

“A tecnologia está aí para facilitar o dia a dia”, diz Kati Dias, executiva de linha branca da LG. E os equipamentos prometem cumprir essa missão, como a geladeira que avisa quando os alimentos estão acabando, o fogão que vem com receitas pré-programadas, a televisão que pesquisa a trilha sonora de um filme por comando de voz no controle remoto e máquina de lavar que avisa quando há peça presa ou necessidade de manutenção.

Atualmente, eles funcionam de forma independente, pouco se comunicando entre si. Mas isso deve mudar. “A tendência é que os aparelhos fiquem cada vez mais conectados, permitindo monitorar a casa toda”, afirma a executiva da LG.

A Samsung também tem novidades em eletrodomésticos inteligentes, como TVs, lava e seca e uma nova linha de ar-condicionado. Os aparelhos também podem ser controlados à distância, pelo aplicativo da marca ou por comando de voz. Além da praticidade, as inovações trazem outros benefícios, segundo Jefferson Porto, diretor da área de eletrodomésticos da Samsung.

“A automação proporciona economia de energia e de água, no caso das lavadoras, pois o consumo pode ser monitorado e adequado de acordo com a necessidade do momento”, explica.

Tecnologia para poucos

Como em todo lançamento, os preços dos eletrodomésticos inteligentes ainda são salgados: a Lava e Seca LG TwinWash Titan Master, que tem dois tambores que permitem lavar roupas pesadas e delicadas ao mesmo tempo, chega ao mercado com o preço sugerido de 13.299 reais (tem capacidade de 17 kg no tambor grande e de 2,5 kg na minilavadora). A Lava e seca Samsung QDrive WD6800 é mais modesta, com capacidade de 10,2 kg e preço sugerido de 5.699 reais.

Ainda é uma tecnologia para poucos, como afirma Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV). “No exterior, aparelhos conectados são vendidos em mercados, em farmácias. Por aqui ainda é um nicho de elite, mas acredito que em cinco anos deve ser democratizado.”

Ele diz que ainda faltam alguns passos para a popularização destes produtos. “Não dá para chamar plenamente de automatização porque são coisas muito pontuais, como a TV e a lavadora, que pouco não conversam entre si. Falta integração. Hoje você tem um aplicativo para cada equipamento ou fabricante, não é algo tão prático”, afirma.

Algumas soluções de destaque no exterior ainda não estão disponíveis no Brasil, como o Google Home e o Amazon Echo, que são pequenos alto-falantes que interagem com o usuário, respondendo aos seus comandos de voz, e se conectam a outros aparelhos inteligentes, de fabricantes variados.

“A tendência é ter plataformas mediadoras que serão responsáveis por integrar os equipamentos de diferentes fabricantes. Os principais players que estão disputando são Amazon, Apple, Google e Samsung, mas ainda é cedo para dizer quem vai dominar”, diz Flavio Maeda, presidente da Abinc (Associação Brasileira de Internet das Coisas). Num cenário ideal de integração, por exemplo, o despertador tocaria e enviaria um alerta para a cafeteira, que iniciaria o preparo do café.

Se essas soluções ainda parecem distantes para os brasileiros, outras já fazem parte do dia a dia de muitas residências por aqui, especialmente para entretenimento e segurança. Uma pesquisa da GS1 Brasil – Associação Brasileira de Automação, realizada este ano pela GfK, mostra que 44% das casas possuem smart TVs. Também segundo a pesquisa, 11% das casas possuem circuito interno de vigilância, com câmeras conectadas que permitem ver a imagem em tempo real e a distância, número que sobe para 60% em condomínios, considerando as áreas comuns.

Mercado de grande potencial

Maeda diz que a automatização é um caminho sem volta e deve se estender a outros ambientes, como carro, escritório e lojas. Assim como o professor da FGV, ele também acredita num prazo de cinco anos para popularização dos eletrodomésticos conectados. “As pessoas e as empresas terão que se adaptar à nova onda de transformação digital.”

Segundo a consultoria IDC, o gasto mundial com Internet das Coisas deverá chegar a 772,5 bilhões de dólares em 2018, um aumento de 14,6% em relação aos US$ 674 bilhões gastos em 2017. No Brasil, a expectativa é que este mercado movimente 8 bilhões de dólares este ano, sendo 612 milhões só no segmento residencial.

Para acelerar o avanço desta tecnologia, a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, da Câmara dos Deputados, aprovou um projeto que zera taxas sobre produtos da Internet das Coisas. O texto do Projeto de Lei 7656/17, do deputado Vitor Lippi (PSDB-SP), prevê zerar a cobrança de uma série de taxas que hoje recaem sobre produtos que fazem parte do padrão da Internet das Coisas, o que pode fazer o preço cair consideravelmente. A proposta ainda será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

O avanço tecnológico, porém, traz novos desafios, segundo o presidente da Abinc. “As empresas terão acesso a uma quantidade enorme de dados dos clientes e, se não tratarem de forma apropriada, esses dados podem ser usados para outros fins. Se um hacker entrar no sistema da cafeteira e ver que ela não foi ligada há vários dias, vai deduzir que a casa está vazia e pode facilitar a ação de ladrões”, exemplifica.Fonte: Portal Veja

 

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