• sábado , 23 março 2019

Campanha de carnaval contra Aids usa tom sóbrio e não se refere a gays

Referência ao público gay é apontada por especialistas em prevenção de HIV/Aids como essencial; 53,6% de registros entre homens ocorreram entre homossexuais

Carnaval: (Prefeitura de Salvador/Divulgação)

Brasília – A campanha de prevenção à aids para o carnaval será mais sóbria e sem referência ao público gay. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, responsável pela escolha do material que será usado nos próximos dias, vetou peças gráficas com referências a casais do mesmo sexo. Preferiu um material classificado como “genérico” e com um tom de advertência mais carregado. Em vez do clima festivo, a ideia foi reforçar a responsabilidade para a prevenção. Filme e cartazes serão anunciados nesta sexta-feira, 22, pelo governo.

A referência ao público gay é apontada por especialistas em estratégias de prevenção de HIV/Aids como essencial. Sobretudo no momento em que é crescente o total de infecções registradas em jovens homens que fazem sexo com homens.

Boletim do Ministério da Saúde mostra que 53,6% dos registros de casos novos de HIV na população masculina ocorreram entre homossexuais. Em 2010, o porcentual era de 44,3%. Profissionais que trabalham na prevenção dizem ser importante que grupos se reconheçam nas campanhas. A estratégia abre caminho para que a mensagem cause impacto e haja mudança de comportamento.

A recomendação do ministro Mandetta, no entanto, foi de ressaltar as consequências da falta de prevenção e a necessidade de despertar a responsabilidade do indivíduo. Esse tom já havia sido identificado nas campanhas de imunização, que mostravam pessoas com sequelas de doenças que poderiam ter sido prevenidas com a vacinação.

Veja Também