• quarta-feira , 17 outubro 2018

Biometria facial se torna obrigatória em todos os ônibus do DF

Benefício de usuário que acessar transporte público com cartão de outra pessoa será suspenso.

Câmera acima do sistema de bilhetagem registra biometria em ônibus do DF (Foto: TV Globo/Reprodução)

A biometria facial passou a ser obrigatória nas catracas de todos os ônibus do Distrito Federal a partir desta quarta-feira (2). A medida engloba cerca de 2,8 mil veículos.

A portaria que obriga as empresas a utilizarem o recurso foi publicada nesta quarta no Diário Oficial do DF. A partir de agora, as concessionárias só receberão dinheiro do governo referente às gratuidades dos passageiros que passarem pelo equipamento.

A biometria é uma das principais apostas do DFTrans para diminuir as fraudes no sistema de transporte público de Brasília.

Conforme a previsão dos contratos já assinados, os custos da tecnologia são arcados pelas empresas – Marechal, Pioneira, Piracicabana, São José e Urbi. A análise das imagens registradas pelas câmeras, por sua vez, será feita pelo DFTrans.

Ônibus do transporte público de Brasília em frente a posto do DFTrans (Foto: André Borges/Agência Brasília/Divulgação)

Suspensões

A fase experimental da biometria nos ônibus do DF flagrou 7 mil irregularidades de donos de cartões do passe livre, considerando apenas duas operadoras de transporte público.

Segundo o balanço informado pelo DFTrans ao G1, foram analisadas 30 mil imagens de portadores do cartão de gratuidade e 23% dos acessos foram reprovados – praticamente um a cada quatro.

“Esses cartões serão bloqueados, o governo não vai pagar por eles. Esse é um benefício. A lei determina a gratuidade, mas não pode ser de qualquer maneira”, disse o diretor-geral do DFTrans, Marcos Tadeu de Andrade.

Os usuários com direito à gratuidade são cerca de 34% do total. Desses, 300 mil são estudantes e 65 mil, pessoas com deficiência.

Entenda a biometria facial

Acima dos validadores, onde os passageiros passam o cartão, há câmeras que captam imagens de quem passa pela catraca. Por meio de um software, elas são comparadas com as fotos cadastradas no sistema.

Quando o programa automaticamente detecta divergências — ou seja, alerta que as imagens não coincidem —, faz-se uma análise visual para confirmar se é caso de fraude.

Se confirmada a irregularidade, o benefício é suspenso e se abre um processo administrativo em que o usuário tem direito ao contraditório e à ampla defesa. Se ainda assim os esclarecimentos forem insatisfatórios, o cartão é bloqueado.

“Após esse bloqueio, se for estudante, o benefício só poderá ser pedido novamente no semestre letivo seguinte e, se for pessoa com deficiência, em 12 meses”, disse o diretor-geral do DFTrans.

 

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