O país vive em um conflito que já dura mais de sete meses, marcado por inúmeros relatos de abusos contra a população civil

(crédito: Yasuyoshi Chiba / AFP)

Pelo menos 64 pessoas morreram, e 180 ficaram feridas em um ataque aéreo de forças governamentais contra um mercado na localidade de Togoga, na região do Tigré – informou uma autoridade regional da saúde à AFP nesta quinta-feira (24/6).

“Até agora, há 64 mortos e 180 feridos em Togoga. O ataque aéreo foi contra um mercado e, portanto, há muitas, mas muitas pessoas feridas”, afirmou Mulu Atsbaha, conselheiro encarregado de saúde infantil e materna no governo regional.

Este balanço foi elaborado com informações reunidas “por líderes locais e pela população de Togoga”, disse este membro da administração regional estabelecida pelo governo federal em Addis Abeba, após uma operação militar em novembro passado contra as autoridades regionais dissidentes da Frente de Libertação Popular de Tigré (TPLF).

A operação se transformou em um conflito que já dura mais de sete meses, marcado por inúmeros relatos de abusos contra a população civil.

O porta-voz do Exército etíope, coronel Getnet Adane, declarou à AFP nesta quinta-feira que as forças federais lançara, de fato, uma “operação” na aldeia de Togoga na terça (22/6). Ele ressaltou, no entanto, que se dirigia exclusivamente aos combatentes leais às antigas autoridades regionais.

Segundo o coronel Adane, a operação foi lançada contra os combatentes concentrados em Togoga “para celebrar o que chamam de festa dos mártires”. Nela, relembram o bombardeio sofrido pela localidade de Hawzen, no Tigré, em 22 de junho de 1988 durante a guerra civil.

“Não é possível esses (rebeldes) dançarem armados para celebrar o chamado Dia dos Mártires e, ao mesmo tempo, se chamarem de civis quando são alvo de uma operação militar. Isso é inaceitável”, completou.

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