• quinta-feira , 19 julho 2018

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Segundo a mãe da universitária, Ana Carolina Lessa Coelho, de 19 anos, estava com hematomas pelo corpo e parentava lábios roxos. Jovem foi socorrida ao hospital, mas teve duas paradas cardíacas e morreu

Ana Carolina Lessa Coelho morava em Águas Claras com a família e cursava enfermagem
(foto: Arquivo pessoal/Divulgação)

Uma universitária de 19 anos morreu após uma festa rave que foi realizada no sábado (23/6), no Recanto das Emas. Ana Carolina Lessa Coelho saiu de casa, em Águas Claras, para ir ao evento com colegas, mas durante a confraternização de música eletrônica começou a passar mal e não deu mais notícias à família. No domingo, a jovem foi dada como desaparecida pela mãe, Valda Lessa 41 anos. Parentes e amigos começaram uma busca por Carol, como era chamada. Ela foi encontrada na casa de um jovem desconhecido, no Sol Nascente, em Ceilândia, na madrugada de segunda-feira (25/6). À tarde, morreu no hospital. A 3ª Delegacia de Polícia (Cruzeiro) investiga o caso.

Segundo relato da mãe, Carol estava com hematomas pelo corpo e quando foi encontrada apresentava comportamento alterado. A estudante de enfermagem estava com machucados e apresentava lábios roxos. “Parecia que ela tinha lutado contra alguém que queria fazer alguma coisa com ela”, lamentou a cabeleireira. Por e-mail, a Divisão de Comunicação da Polícia Civil (Divicom) confirmou que a universitária tinha escoriações pelo corpo.

Valda conta que manteve contato com a filha até às 21h de sábado, quando, depois disso, o celular dava sinal de desligado. No dia seguinte, sem ter contato com a jovem, a mãe começou buscas pela região, conversando com amigos e conhecidos. “Comecei a perguntar para todo mundo, mas ninguém tinha notícias. Ninguém sabia de nada. Um vizinho que é próximo a ela disse que a Carol tinha ido para uma rave e falou que a festa acabava só às 16h. Esperamos, mas ela não apareceu. Até que começamos uma busca pelas redes sociais”, contou.

Após as mensagens de procura pela jovem viralizarem na internet, a mãe e as amigas conseguiram localizar Ana Carolina na residência de um jovem no Sol Nascente. Ao reencontrar a filha, por volta de 0h10 de segunda-feira, Valda percebeu o comportamento alterado na jovem, mas, segundo consta na ocorrência registrada na 3ª DP, ela não quis ir ao hospital e seguiu para casa, onde mora com a mãe e os dois irmãos de 16 e 8 anos. Ao amanhecer, começou a passar mal. A mãe então levou a menina ao Hospital São Mateus, no Cruzeiro. Na unidade médica, a jovem sofreu duas paradas cardíacas e respiratória, precisou ser reanimada, mas morreu durante a tarde.

Segundo a mãe, testemunhas contaram que, durante a festa, Carol começou a ter alucinações, mas, como estava sozinha, foi socorrida por desconhecidos. “Minha filha ficou na mão das pessoas, perambulando, machucada, sem apoio. Não posso julgar ninguém, mas não foi dado o devido socorro a ela”, lamentou.

Às 18h desta terça-feira (26/5), o corpo de Ana Carolina será velado na Capela 5 do Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul. O sepultamento está marcado para às 11h desta quarta-feira (27/6).

Necropsia no IML

Delegada-chefe da 3ªDP, Cláudia Alcântara contou que, durante a noite de segunda-feira (25/6), familiares, parentes e amigos estiveram na unidade policial para registrar ocorrência que está “em apuração”. Segundo a investigadora, a mãe contou que, ao levar a jovem para casa, ela começou a não se sentir bem. “A mãe perguntou a ela o que tinha acontecido e ela dizia que não era nada. Então, a genitora fez uma sopa, ela comeu, mas vomitou e, depois, nada parava mais no estômago. Até que a família seguiu para o Hospital Regional de Ceilândia. Como elas não conseguiram atendimento, vieram para o hospital particular do Cruzeiro”, contou.

A paciente deu entrada na unidade de saúde e foi levada a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela sofreu duas paradas cardíacas e apresentou insuficiência renal. Após constatada a morte, o corpo foi levado ao Instituto de Medicina Legal (IML), para a necropsia. “Aparentemente ela era uma menina saudável. Vamos realizar exames toxicológicos e de abuso sexual para saber o que aconteceu”, disse a delegada. A delegada não quis comentar sobre indícios de lesões na área genital da jovem.

Durante a noite de segunda-feira, amigos e familiares foram ouvidos informalmente para registro de ocorrência. A partir desta terça (26/6) todas as testemunhas e parentes serão ouvidos em condição de depoimento formal. “Por enquanto, a ocorrência está em apuração. Sabemos que muitas pessoas que vão a esse tipo de festa usam droga. Mas, a nossa intenção é saber como o fato se deu até chegar ao óbito. Se ela fez uso de droga, se alguém induziu ou se colocaram na bebida. Existem muitas dúvidas e, só depois, vamos saber se foi um homicídio, se foi um homicídio culposo, doloso, ou se só uma fatalidade”, destacou a investigadora.

Menina gostava de sair

Valda contou que a filha não costumava ficar sem dar notícias. Ela gostava de sair com os amigos, ir para festas, mas a mãe tinha proibido Carol de ir a raves. “Eu dizia ‘você não vai em rave, porque fiquei sabendo que rola muita droga’. E ela falava ‘mãe, em todo lugar as pessoas usam droga. isso só depende da pessoa’. Minha filha bebia socialmente, mas nunca usou nada. Como passamos por problema na família por causa de droga, ela tinha trauma disso”, contou.

De comportamento firme, a jovem era considerada como uma menina decidida e madura. “Ela repugnava com essa história de droga e dizia ‘mãe, nunca vou te decepcionar, pode ficar tranquila’. Nunca vi alteração nenhuma na minha filha. Sempre vigiei muito e dizia que ela podia sair para se divertir, mas que não bebesse tanto. Quando ela chegava, eu cheirava a boca dela. Sempre fui de cuidar”, ressaltou.

Ainda não há informações sobre velório e enterro da jovem, porque o corpo ainda não foi liberado.

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