• quarta-feira , 25 Abril 2018

Sistemas do GDF sofrem 18 invasões e mais de 2 milhões de tentativas em 1 ano

Governo diz que não houve vazamentos de dados. Ataques aumentaram quase 4.000% em 2017.

Os sistemas de informática do governo do Distrito Federal sofreram 2.043.551 tentativas de invasão em 2017. Em 18 casos, “hackers” conseguiram acessar os servidores, informou a Secretaria de Planejamento – pasta que administra a infraestrutura tecnológica do GDF. Os dados foram obtidos  por meio da Lei de Acesso à Informação.

Comparando com os números de 2016, a quantidade de tentativas de invasão cresceu 3.927%. Naquele ano, foram registradas 52.031 iniciativas frustradas e 12 ataques efetivos.

Segundo a Secretaria de Planejamento, o aumento considerável de ocorrências ocorreu porque a pasta “adotou novos métodos de detecção e métricas”. A pasta afirmou que em nenhum dos 18 ataques do ano passado houve vazamento de dados.

“Em sua maioria, foram abuso de fórum ou comentários em páginas informacionais, que não fornecem serviços à população.”

Em julho de 2017 – período com mais incidência de invasões –, os sistemas eletrônicos de algumas secretarias do GDF apresentaram “instabilidade”. O problema, causado pelo vírus WannaCry, derrubou serviços de raios X nos hospitais de Base, da Asa Norte e de Taguatinga. Apesar do transtorno, a pasta disse que nenhum dado sensível governamental foi criptografado ou sequestrado.

Tela padrão do vírus WannaCry, protagonista de um ciberataque global em maio deste ano (Foto: Rômulo Ramos/Arquivo Pessoal)

Para reforçar a segurança e evitar ações mal intencionadas, a área conta com um contrato de R$ 6 milhões a fim de fazer atualizações técnicas contínuas no Datacenter Corporativo. Ele foi assinado em 2015 e tem duração de três anos.

Como funciona?

Entre as estratégias usadas pelos hackers está a de “força bruta”, quando são tentadas todas as possibilidades de senhas. Outra técnica é a conhecida como “ataque do dicionário”. Segundo o consultor Antônio Martino, cientista da computação, o método consiste em usar as senhas mais frequentes – como “123” – para tentar acesso ao sistema.

“O ataque do dicionário é mais refinado que o de força bruta. Ele pega palavra comuns da língua portuguesa ou termos frequentes e tenta combinações”, explicou Martino ao G1. “Com o método do dicionário, o ataque fica mais efetivo e aumentam as chances de invadir os servidores.”

Outro meio usado contra os sistemas do GDF é o ataque conhecido como “de negação de serviço” ou simplesmente DDoS. “Neste caso, é como se todo mundo tentasse ligar para um telefone e essa pessoa não conseguisse mais receber ligações sérias. Ou seja, você não invade o sistema, mas acaba o derrubando por sobrecarga”, disse o especialista.

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