• terça-feira , 17 julho 2018

Evento de poesia na rua promove sarau, show e oficina literária em Brasília

‘Bienal do B’ começa nesta quarta e vai até sexta, na Asa Norte. Programação gratuita é para adultos e crianças.

37ª Noite Cultural T-Bone, entre as quadras 312 e 313 Norte, em Brasília (Foto: T-Bone/Facebook/Reprodução)

Enquanto grupos contra e a favor do habeas corpus para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúnem na Esplanada dos Ministérios, outra forma de manifestação começa a assentar as bases em uma comercial na Asa Norte, em Brasília, nesta quarta-feira (4).

Entre as quadras 312 e 313, escritores e amantes da literatura levantam a bandeira da poesia. No corredor – nem à esqueda, nem à direita – eles montaram a “Bienal do B”, evento de rua que resiste desde 2012.

Na 5ª edição, o evento vai até sexta-feira (6) com sarau de poesia, show de artistas locais e dos cariocas Amelinha e Eduardo Dussek, exposição de artes plásticas e mesas redondas – tudo de graça (veja programação completa abaixo).

A Bienal do B começa às 14h para as crianças, com teatro de bonecos e oficina literária. O momento dos adultos será a partir das 18h com debates, recitais de poesia e música. A rua será fechada para os carros às 19h.

Espaço para a poesia

O poeta e patrono da Bienal Vicente Sá, afirma que é preciso espaço para a poesia, principalmente em momentos de “turbulência política”. Segundo ele, “Brasília é uma cidade muito politizada, muito consciente e a poesia faz parte da cultura local”.

“Os poetas daqui falam muito sobre o que acontece na cidade, o dia a dia no Plano Piloto, mas não é uma poesia alienada.”

Poeta de Brasília Nicolas Behr (Foto: Andre Borges/Agência Brasília/Divulgação)

Plano B

A “Bienal do B” surgiu como um evento alternativo ao fim da Bienal Internacional de Poesia, criada pela Secretaria de Cultura do DF em 2008 em parceria com o poeta e então diretor da Biblioteca Nacional da República, Antônio Miranda.

Em 2012, quando a segunda edição da bienal foi cancelada, poetas de Brasília se uniram para manter o que desejavam transformar em tradição. “Só que, como a ‘Bienal do B’ é alternativa, isso nos dá liberdade para fazer como quisermos ou como der. Ano passado não teve por falta de patrocínio”, explicou Vicente Sá.

Programação

Durante os três dias de evento, algumas atividades se repetem sempre no mesmo horário. Confira:

  • Das 15h às 17h – Oficina com Vicente Sá e Rêgo Junior
  • Das 17h às 18h – Teatro de bonecos com o grupo Mulungo e Cia. Burlesca
  • Das 18h às 19h – Exposição de artes plásticas com Ralfe Braga, Ribamar Fonseca e Iaga Lagus
  • Das 19h às 22h – Lançamento e venda de livros

Quarta (4)

  • 19h – Saudação ao patrono Vicente Sá por Paulo José Cunha
  • 19h15 – Mesa redonda: “A poesia brasiliense” com Vicente Sá, Noélia Ribeiro, José Sóter e André Giusti
  • 19h45 – Show de Duo Jota com sarau

Poetas: Amneres Santiago, Custódia Wolney, Fabrízio Morelo, Flora Bentz, Lourdes teodoro, José Sóter, Vicente Sá, José Roberto, Noélia Ribeiro e Nicolas Behr.

Show de encerramento com Manassés e banda

Quinta (5)

  • 19h – Homenagem ao poeta Joãozinho da Vila
  • 19h15 – Mesa redonda: “Poesia e resistência” com Kika Sea, Meimei Bastos, Marcos Fabrpicio e André Giusti
  • 19h45 – Show de Túlio Borges com sarau

Poetas: Adeilton Lima, Ana Barros, Cristiane Sobral, Dayane Timóteo, Dina Brandão, Kika Sena, Meimei Bastos, Rêgo Junior, Wélcio Toledo e Vanderlei Costa.

Show de encerramento com Eduardo Dussek

Sexta (6)

  • 19h – Homenagem ao poeta Antônio Miranda
  • 19h15 – Mesa redonda: “Poesia e outras artes” com Luís Felipe Vitelli, Hilan Bensusan, Alexandre e André Giusti
  • 19h45 – Show de Carrapa do Cavaquinho com sarau

Poetas: Antônio Miranda, Ismar Lemos, Marcos Freitas, Menezes y Morais, José Edson, Beth Jardim, Hilan Bensusan, Luís Felipe Vitelli, Nara Fontes e Nilva Sousa.

Show de encerramento com Amelinha

‘Borboleta amarela’

Flores e borboletas também são registradas pelo fotógrafo de natureza (Foto: Marcelo De Podestá/VC no TG)

Uma borboleta amarela
Entrou por minha janela
Com jeito e um canivete
Abriu meu peito
Andou em mim como quis
Me fez feliz e desfeito
Depois
Como um sonho bom
Partiu

Ando assim pela cidade
Ainda bem que ninguém vê
Eu caçando borboletas
Para ser meu bem-querer

(Poesia de Vicente Sá publicada no livro “Anjo Carmin”, de 2004)

 

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